CHEGA pretende transformar em habitação património do Estado nas regiões

O grupo parlamentar do CHEGA na Assembleia da República deu entrada de um projecto recomendando ao governo a realização de um levantamento e inventariação integral do património imobiliário do Estado existente nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores e a utilização dos imóveis com potencial habitacional para aumentar a oferta de habitação pública.

De acordo com Francisco Gomes, deputado do CHEGA e coordenador do partido na Comissão da Habitação, a iniciativa surge perante o que diz ser o agravamento da crise habitacional nas duas regiões autónomas, onde a condição insular, a escassez de solo disponível, a pressão sobre o mercado imobiliário e a subida dos preços têm consequências particularmente graves para jovens e famílias de rendimentos baixos e médios.

“Não podemos continuar a dizer aos jovens madeirenses e açorianos que não há casas nem espaço para construir enquanto o próprio Estado tem património que está vazio, abandonado ou a degradar-se. Primeiro temos de saber exatamente o que existe e, depois, colocar aquilo que puder ser recuperado ao serviço das pessoas”, diz este deputado.

Por seu lado, Ana Martins, deputada eleita pelos Açores, sublinha que o projecto do CHEGA exige que o governo faça uma inventariação de todos os imóveis do Estado na Madeira e nos Açores, identificando localização, utilização, estado de conservação e situações de desocupação ou subutilização. Os imóveis sem utilidade para a administração central e com aptidão habitacional deverão ser cedidos às respetivas regiões autónomas para reabilitação e transformação em habitação pública, arrendamento acessível ou outras modalidades a custos controlados.

“É incompreensível que o Estado possa nem sequer ter uma visão rigorosa de todo o património que possui enquanto milhares de famílias desesperam por uma casa que consigam pagar. Património público abandonado quando falta habitação é desperdício, incompetência e uma péssima gestão dos recursos dos portugueses”, refere-se.

O CHEGA pretende, contudo, impedir que a cedência dos imóveis se transforme numa mera transferência patrimonial entre administrações. Por isso, propõe um prazo máximo de cinco anos para que os governos regionais concluam a recuperação ou reconversão e disponibilizem efectivamente os imóveis para habitação. Caso esse prazo seja injustificadamente incumprido ou a finalidade seja alterada, o património deverá reverter para o Estado.

Quanto aos imóveis degradados, devolutos ou subutilizados sem condições para utilização habitacional, o projeto recomenda a sua recuperação, conservação e reafectação a funções ou serviços públicos adequados, evitando que continuem abandonados.

“Cada imóvel público recuperável que fica anos fechado é uma oportunidade roubada a uma família. O Estado não pode pedir mais dinheiro aos contribuintes para construir tudo de novo enquanto deixa apodrecer aquilo que os contribuintes já pagaram”, diz Francisco Gomes.

 


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