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Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na noite de segunda-feira, 21 de setembro de 2026, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. A notícia foi confirmada pela família e agência do artista através das redes sociais, num comunicado que sublinhava o “profundo pesar e consternação” e pedia que o músico fosse lembrado “pelas suas canções e palavras”.
Uma vida dedicada à música
Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou a ter aulas de música aos seis anos e ingressou no Conservatório Nacional aos 10, numa formação inicialmente orientada para a música clássica. Aos 14 anos, abandonou o percurso clássico para se dedicar ao pop-rock, uma viragem que moldaria toda a sua carreira.cnnportugal.
Embora a sua carreira a solo seja habitualmente contada a partir de 1972, ano em que gravou o primeiro single em nome próprio (“The Nine Billion Names of God”), o seu percurso profissional começou ainda antes, com passagens por grupos como os Black Boys e o Sindicato, este último presente na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971. Ao longo de mais de meio século de atividade, Jorge Palma afirmou-se como uma voz singular, capaz de cruzar influências do rock, da canção de autor e de uma escrita literária exigente.cnnportugal.
Canções que marcaram gerações
Autor de temas que se tornaram parte do imaginário coletivo português, Jorge Palma deixou um catálogo com canções como “Frágil”, “Dá-me Lume”, “Bairro do Amor”, “Deixa-me Rir” ou “A Gente Vai Continuar”. A sua obra, descrita pela família como “assinalável” e integrante da “história” da música nacional, atravessou várias gerações de ouvintes.cnnportugal.
Em 2002, venceu o Prémio José Afonso com o álbum homónimo “Jorge Palma” e, em 2012, recebeu a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, com “Com todo o respeito”. Este ano, foi ainda homenageado com um Prémio Carreira nos prémios Play, numa distinção que sublinhava o seu papel central na música portuguesa.cnnportugal.
Reações e homenagens
A morte de Jorge Palma provocou uma onda de homenagens vindas de vários quadrantes da sociedade portuguesa. O presidente da República recordou “temas inesquecíveis”, enquanto o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que o músico “fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações”, tendo “ajudado a transformar com a sua voz única e músicas intemporais” a cultura musical do país.
A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, classificou-o como um “cantautor extraordinário” e uma das vozes mais icónicas da música portuguesa das últimas décadas, endereçando “sentidas condolências” à família e amigos. Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, lamentou a perda, considerando que se tratava de “um dia triste, muito triste, para a música portuguesa”.cnnportugal.
No campo artístico, colegas e amigos manifestaram publicamente o seu luto. Paulo Gonzo, por exemplo, escreveu nas redes sociais: “Não perdi apenas um amigo. Perdi um irmão. Nunca estamos preparados”, refletindo o impacto pessoal e coletivo da morte súbita do cantor.
Legado e memória
Jorge Palma partiu deixando um património musical marcado pela liberdade, pela inquietação e por canções que continuam a ser cantadas e revisitadas. A sua ligação ao 25 de Abril, reafirmada em intervenções públicas recentes, fez dele também uma voz atenta à memória democrática, como quando, ao receber o Prémio Carreira dos Play, colocou o cravo vermelho ao peito e pediu que não se deixasse “que o 25 de Abril se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe”.
A família, na mensagem de despedida, agradeceu “toda a amizade demonstrada ao longo dos anos” e sublinhou que Jorge Palma deixa “muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade”. Com a sua morte, Portugal perde um dos seus maiores músicos e compositores, mas ganha, nas palavras de quem o homenageia, uma obra que “faz parte da história” e que continuará a ecoar no tempo.
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