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A cidade ucraniana de Oleshky, ocupada pela Rússia na região de Kherson, vive uma crise humanitária grave desde que as entregas regulares de alimentos e medicamentos foram interrompidas no final de maio de 2026, com milhares de civis isolados por bloqueios militares, estradas minadas e ataques constantes de drones e artilharia.
Situação humanitária em Oleshky
Oleshky, localizada na margem leste do rio Dnipro, a cerca de quatro quilómetros de Kherson, tinha antes da guerra uma população de aproximadamente 24 mil habitantes. Atualmente, estima-se que entre 2 mil e 4 mil pessoas permaneçam na cidade, embora algumas fontes ucranianas apontem para até 6 mil civis, incluindo cerca de 200 crianças, quando consideradas também as localidades vizinhas como Hola Prystan, Stara Zburivka e Nova Zburivka.
A última entrega de alimentos considerada bem-sucedida ocorreu em 26 de maio de 2026, segundo relatos de residentes e confirmação da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia. Desde então, a situação deteriorou-se progressivamente: os moradores sobreviveram durante o verão com vegetais das suas hortas, mas com o fim da época de cultivo enfrentam agora escassez crítica de alimentos, medicamentos, água potável, eletricidade e gás.
Bloqueio imposto pelo exército russo
Segundo o jornal alemão Bild, que publicou uma reportagem detalhada em 16 de setembro de 2026, as forças russas cercaram a cidade há meses e controlam rigorosamente os pontos de acesso. Veículos que tentam levar comida são impedidos de entrar, e os residentes que procuram sair são obrigados a recuar nos checkpoints. Há relatos de soldados russos dizendo aos civis: “Voltem e morram lá”.
Quando as forças russas atacaram um convivo humanitário, os habitantes recolheram imediatamente qualquer alimento que restou após o impacto, segundo o Bild. Além do bloqueio terrestre, a cidade está sob ataques constantes de drones e artilharia, e as estradas estão minadas, tornando as evacuações extremamente perigosas.
Reação internacional e apelos ucranianos
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiha, denunciou a situação em 22 de setembro de 2026, afirmando que a Rússia está “deliberadamente a criar uma catástrofe humanitária” na margem esquerda ocupada de Kherson. Sybiha anunciou que a Ucrânia levaria o caso à Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, exigindo pressão internacional para obrigar a Rússia a permitir a entrada de ajuda humanitária e a evacuação de civis.
O ombudsman ucraniano, Dmytro Lubinets, relatou que o Comité Internacional da Cruz Vermelha está preparado para facilitar a evacuação, mas as forças russas impedem a operação. Líderes religiosos ucranianos apelaram também ao Papa e a outras figuras religiosas mundiais para intercederem pela população de Oleshky.
Condições de vida dos residentes
Os moradores de Oleshky recorrem a alimentos improvisados, como sopa de vegetais com cevada e dois ovos, ou pão achatado feito apenas de água e farinha, segundo testemunhos recolhidos por meios de comunicação ucranianos. Muitos vasculham porões destruídos e casas abandonadas em busca de comida. O hospital local funciona sem suprimentos médicos básicos, eletricidade ou água corrente, e as ambulâncias não conseguem operar devido ao risco de ataques de drones.
Alguns residentes arriscam atravessar estradas minadas a pé para tentar escapar da cidade, numa situação descrita por autoridades ucranianas como “inferno”.
Contexto mais amplo
A crise em Oleshky insere-se num padrão mais amplo de bloqueio humanitário imposto pela Rússia em várias localidades ocupadas na região de Kherson, incluindo Hola Prystan, Stara Zburivka e Nova Zburivka, onde mais de 6 mil pessoas estariam igualmente sem acesso adequado a água, comida, cuidados médicos e segurança.
A Ucrânia acusa a Rússia de usar a privação como arma de guerra, combinada com má gestão burocrática, para forçar a submissão das populações ocupadas.
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