PS-M pretende regulamentação regional que proteja as tradições piscatórias

O PS Madeira defendeu hoje, junto dos pescadores do Caniçal, a urgência de uma solução legislativa definitiva que garanta a protecção das tradições locais e o fim do clima de suspeição que afecta os profissionais do mar.

Reagindo aos recentes episódios ocorridos com a apreensão de gaiado seco destinado ao autoconsumo, a presidente do PS-M, Célia Pessegueiro, desafiou o Governo Regional a assumir as suas responsabilidades e a utilizar o seu poder de regulador para criar exceções legais devidamente enquadradas, protegendo tanto os pescadores como a actuação das autoridades fiscalizadoras.

A líder socialista diz que a actual situação prejudica a comunidade piscatória e coloca as forças de fiscalização numa posição ingrata, devendo o Governo Regional actuar de forma proactiva, quer através de regulamentação, quer através da sua influência junto das instâncias comunitárias, na defesa desta tradição e do património cultural e social da Região.

Célia Pessegueiro afirmou que o PS quer uma solução “que não seja só ultrapassar a situação que aconteceu com o gaiado seco, mas que haja uma clarificação para o futuro. Não pode acontecer aquilo que aconteceu ontem, nem outras situações, com o peixe que levam para casa para autoconsumo e para alimentar as famílias, o chamado ‘peixe do balde’A legislação tem de ser clarificada, para que os pescadores não sejam tratados como infratores, nem as autoridades tratadas como as más da fita. “Quem está no meio desta equação é o Governo Regional, que tem o poder para resolver através da alteração à lei e criação de regulamentação própria”, refere.

Entre as prioridades, o PS-M destaca a necessidade de rever a contabilização do peixe destinado ao consumo próprio nas quotas de pesca e o estabelecimento de um regime excecional para práticas culturais enraizadas na identidade madeirense, como é o caso do consumo de gaiado seco nas festividades da Piedade. A presidente do partido estabeleceu um paralelo com outras realidades regionais para ilustrar a viabilidade da medida, recordando que “é preciso tratar com a devida excepção aquilo que é de facto excepcional”, tal como sucede com a matança do porco para autoconsumo.

Célia Pessegueiro aponta ainda a dimensão comunitária e solidária desta tradição no Caniçal, e lembra que “no próximo fim de semana está toda a gente na Festa da Piedade a conviver e a partilhar daquilo que os pescadores trazem e que oferecem gratuitamente às pessoas. Está-se a falar de uma tradição, e o gesto de agradecimento através da partilha com toda a população. Estas coisas têm que ser todas consideradas para que se valorize quem o ano inteiro está no mar para tentar sustentar-se e sustentar as famílias”.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.