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A empresa ucraniana Fire Point já iniciou os ensaios militares do míssil balístico tático FP-7 e prevê o primeiro uso em combate ainda em setembro de 2026, num ritmo de desenvolvimento que contrasta com a lentidão de vários programas europeus de mísseis de longo alcance, ainda sem capacidade operacional concreta.
O anúncio foi feito pela CEO da Fire Point, Iryna Terekh, que confirmou que o FP-7 já concluiu com sucesso duas das três fases de testes — ensaios em solo e voos de teste — e está agora na fase de testes militares, que inclui a codificação e adoção formal pelas Forças Armadas da Ucrânia. Segundo Terekh, o primeiro uso operacional deve ocorrer “em semanas, não em meses”, com expectativa de estreia no final de setembro.dw+3
Características técnicas e papel no teatro de operações
O FP-7 é um míssil balístico tático de combustível sólido, com alcance de até 300 km (algumas fontes referem 200 km dependendo da configuração da ogiva), ogiva de até 150 kg e velocidade máxima de cerca de 1.500 m/s. Foi concebido como uma alternativa de menor custo ao míssil americano ATACMS, para ataques de precisão a alvos de curta e média distância em território russo, incluindo infraestruturas logísticas, depósitos de munições e concentrações de tropas.
Em declarações recentes, a Fire Point sublinhou que o FP-7 já realizou lançamentos de teste bem-sucedidos em território ucraniano e que os ensaios militares em curso visam validar o desempenho em condições reais de combate, incluindo integração com sistemas de comando e controlo e procedimentos de emprego tático.
Desenvolvimento em tempo recorde
A Fire Point destaca que o FP-7 foi desenvolvido em pouco mais de um ano, algo que atribui à ausência de burocracia e a procedimentos simplificados no setor de defesa ucraniano em tempo de guerra. O ritmo contrasta com programas europeus de mísseis de ataque de longo alcance — como iniciativas francesas e de consórcios da UE — que, segundo análises publicadas em setembro de 2026, levaram mais de 15 anos em fases de desenvolvimento e ainda não têm capacidade operacional concreta.
Este diferencial de velocidade tem sido apresentado por analistas como um exemplo de como a pressão do conflito forçou Kiev a adotar modelos ágeis de desenvolvimento, produção e teste, aproximando-se de ciclos típicos de startups de defesa em vez dos processos tradicionais da indústria aeroespacial europeia.
FP-9: o próximo passo, com alcance estratégico
Em paralelo ao FP-7, a Fire Point prepara o míssil FP-9, com alcance de 800–850 km e ogiva de até 800 kg, previsto para entrar em testes de combate no outono/inverno de 2026. Com este alcance, o FP-9 colocará alvos como Moscovo dentro do seu raio de ação, reforçando a capacidade ucraniana de dissuasão e de ataque a infraestruturas estratégicas no interior da Rússia.
A empresa indica que o FP-9 será testado após a entrada em serviço do FP-7, num processo escalonado que permite validar tecnologias e procedimentos antes de passar a sistemas de maior alcance e complexidade.
Impacto no equilíbrio de forças
A entrada em serviço do FP-7 representa um reforço significativo da capacidade ucraniana de fogo de profundidade, permitindo atacar alvos além da linha da frente com maior autonomia e menor dependência de sistemas ocidentais, cujas entregas têm sido limitadas por restrições políticas e logísticas.
Analistas apontam que, se confirmado o calendário de setembro para o primeiro uso em combate, o FP-7 poderá ser empregue já nas próximas semanas em operações de retaliação ou prevenção, sobretudo contra alvos de alto valor logístico e de comando no sul e leste da Ucrânia ocupada, bem como em regiões fronteiriças russas usadas como bases de apoio.
Contexto mais amplo: corrida de mísseis no Leste Europeu
O avanço do programa FP-7 ocorre num momento em que vários países europeus aceleram os seus próprios programas de mísseis de cruzeiro e balísticos, em resposta às lições da guerra na Ucrânia e à perceção de vulnerabilidade face a capacidades de ataque de longo alcance. No entanto, os prazos de desenvolvimento, produção e qualificação militar têm sido significativamente mais longos do que os observados em Kiev, levantando debates sobre a necessidade de reformas nos processos de aquisição e inovação na defesa europeia.
Para a Ucrânia, o FP-7 é mais do que uma nova arma: é um símbolo de autonomia estratégica e de capacidade industrial em tempo de guerra, com potencial para se tornar um produto de exportação no pós-guerra, caso os testes em combate confirmem o desempenho esperado.
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