Os deputados do PS-M apresentaram na Assembleia Legislativa da Madeira um Voto de Saudação pelo Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, assinalado a 10 de Setembro, procurando sensibilizar para a importância de combater o estigma associado ao sofrimento psicológico, tornar mais natural a procura de ajuda e reconhecer o empenho dos profissionais que diariamente intervêm na prevenção e promoção da saúde mental.
O suicídio é um fenómeno complexo e multifatorial, influenciado por fatores individuais, psicológicos, sociais, económicos e ambientais. A doença mental, a depressão, a solidão e o isolamento social, situações de perda, dificuldades económicas, doença grave ou ausência de redes de suporte podem aumentar a vulnerabilidade, não sendo possível reduzir cada situação a uma única causa, refere-se num comunicado.
Os dados oficiais mostram que, entre 2015 e 2024, foram registadas na Madeira 228 mortes por suicídio e lesões autoprovocadas voluntariamente, uma média próxima de 23 por ano. Destas, 174 ocorreram em homens e 54 em mulheres, evidenciando uma mortalidade particularmente marcada no sexo masculino. Depois de 31 óbitos em 2020, 32 em 2021 e 27 em 2022, registaram-se 16 em 2023 e 17 em 2024.
Para a deputada socialista Marta Freitas, estes números demonstram a importância da prevenção, e reforçam a necessidade de conhecer a verdadeira dimensão da saúde mental na Região.
“Os dados sobre mortalidade são fundamentais, e torna-se igualmente necessário conhecer a dimensão da depressão, da ansiedade, da ideação suicida, dos comportamentos autolesivos ou de outras situações de sofrimento psicológico. Para prevenir melhor, precisamos também de conhecer melhor a realidade da população madeirense.”
É neste contexto que o PS-M volta a chamar a atenção para a necessidade de um estudo epidemiológico sobre a saúde mental e psicológica da população da Região. A Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses defendeu recentemente a realização desse estudo, com o objectivo de identificar necessidades, compreender fatores de vulnerabilidade e fundamentar respostas e políticas públicas mais adequadas. Esta necessidade é igualmente salientada no voto apresentado pelos socialistas.
Marta Freitas lembra que o alerta não é novo. O PS já defendia, em 2024, um estudo aprofundado sobre a saúde mental na Madeira e, em Maio de 2025, levou essa proposta à Assembleia Regional, onde foi chumbada pelo PSD e CDS.
“A Ordem dos Psicólogos veio recentemente confirmar uma necessidade que o PS já tinha identificado. Em 2025 propusemos que se estudasse aprofundadamente a saúde mental dos madeirenses, mas PSD e CDS chumbaram a proposta, defendendo que já existiam instrumentos e respostas. Porque rejeitaram aquilo que os próprios especialistas continuam a considerar necessário?”, insiste a deputada socialista.
O Voto de Saudação pretende, simultaneamente, reconhecer o trabalho dos profissionais que todos os dias intervêm nesta área. Psicólogos, psiquiatras, pedopsiquiatras, enfermeiros especialistas em saúde mental, assistentes sociais, profissionais dos cuidados de saúde primários, das equipas comunitárias, das escolas e de outras instituições que desenvolvem diariamente um trabalho de prevenção, sinalização, acompanhamento e intervenção junto de pessoas em sofrimento psicológico.
“São profissionais que todos os dias escutam, sinalizam, acompanham e intervêm junto de pessoas e famílias em momentos de grande vulnerabilidade. Esse empenho e o trabalho desenvolvido pelas diferentes equipas e projetos de proximidade merecem o nosso reconhecimento e valorização”, refere Marta Freitas.
Para o PS, a prevenção do suicídio não se esgota nos serviços de saúde. Faz-se igualmente nas famílias, nas escolas, nos locais de trabalho e nas comunidades. Falar sobre saúde mental, combater o estigma, reconhecer sinais de sofrimento, conhecer melhor a realidade e tornar mais fácil pedir ajuda são também formas de prevenir.
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