O Boletim de Execução Orçamental de Julho de 2026 encontra-se já disponível para consulta em http://www.madeira.gov.pt/srf/. A referida publicação mensal analisa a evolução das finanças públicas regionais, abrangendo o Governo Regional, os Serviços e Fundos Autónomos (SFA) e as Entidades Públicas Reclassificadas (EPR).
Resultado da Administração Pública Regional
No final de Julho de 2026, as contas consolidadas da Administração Pública Regional apresentam um excedente de 41,5 milhões de euros. O resultado compara com o excedente de 98,4 milhões de euros apurado no mesmo período de 2025, traduzindo uma variação homóloga de -57,8%. O saldo primário atingiu 123,9 milhões de euros.
| Excedente jul. 2026
41,5 M€ |
Excedente jul. 2025
98,4 M€ |
A redução do saldo é determinada pelo subsector do Governo Regional, que registou um excedente de 28,7 milhões de euros, face a 89,9 milhões em 2025 (-61,2 milhões). Os SFA e as EPR mantiveram-se positivos, com um excedente conjunto de 12,8 milhões de euros — 10,8 milhões dos SFA e 2,0 milhões das EPR, estas últimas com uma melhoria de 16,0 milhões face a 2025.
Receita: IVA e transferências correntes não compensam a quebra do IRC e das transferências de capital
A receita efectiva do Governo Regional totalizou 955,6 milhões de euros, menos 1,6% (-16,0 milhões de euros) do que em 2025, com um grau de execução de 46,3%. O resultado traduz duas dinâmicas opostas:
| Receita fiscal +0,5% (+3,3 M€)
IVA +6,8% (374,4 M€) · IRC -26,4% (66,7 M€) · IRS -5,7% (99,1 M€) |
| Receita não fiscal –5,9% (-19,3 M€)
Receitas de capital -39,0% (-39,9 M€), por ausência da transferência ao abrigo do art.º 49.º da LFRA. Transferências correntes: +10,2% (+20,3 M€), sustentadas por fundos da Administração Central e da União Europeia. |
O crescimento do IVA (+23,8 M€), sustentado pelo regime de capitação, foi anulado pela quebra do IRC — reflexo da menor autoliquidação associada ao Modelo 22, cujo prazo de entrega foi prorrogado até 30 de junho — e do IRS, penalizado pelos reembolsos da campanha do Modelo 3. O reforço das transferências correntes não compensou a quebra das transferências de capital da Administração Central.
Despesa: aumento de 5,1%, alavancado por transferências, bens e serviços e pessoal
A despesa efectiva do Governo Regional situou-se em 926,8 milhões de euros, mais 5,1% do que em 2025 (+45,2 milhões), correspondendo a uma execução orçamental de 41,9%. A despesa corrente cresceu 7,8% (+63,3 milhões), enquanto a despesa de capital recuou 25,1% (-18,1 milhões).
| Principais variações da despesa:
Transferências correntes: +7,9% (+29,5 M€) Aquisição de bens e serviços correntes: +23,5% (+18,0 M€) Despesas com o pessoal: +4,9% (+13,7 M€), reflexo das atualizações salariais Juros e outros encargos: -3,6% (-3,0 M€) · Despesas de capital: -25,1% (-18,1 M€) |
Por áreas de intervenção, a Saúde e a Educação representaram, em conjunto, 60,7% da despesa, seguindo-se os Serviços gerais das administrações públicas (16,4%) e os Assuntos económicos (13,7%).
Dívida não financeira
O passivo acumulado ascendia, no final de Julho, a 224,5 milhões de euros — um acréscimo de 29,3 milhões face ao período homólogo. Os pagamentos em atraso fixaram-se em 21,2 milhões de euros, registando uma variação de -1,7 milhões.
| Redução acumulada desde 2012 (mesmo universo de entidades)
Passivos: -2 515,1 M€ Pagamentos em atraso: -1 103,0 M€ |
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