O Nepal, Colapso de Glaciar, o Aquecimento Global e o Homem

Texto de João Mata(*)
Começa a ser consensual que a tragédia que a 26 de agosto de 2026 atingiu o Nepal, teve origem no colapso de um glaciar, o que, segundo os Serviços Geológicos Americanos (USGS) terá provocado um sinal idêntico a sismo de M 5.2. Foi, portanto, o colapso glaciar que induziu o referido sinal e não um sismo que provocou o colapso glaciar, ao contrário do que de início de supôs.
Excluindo a Gronelândia e a Antártida, existem no planeta mais de 210 000 glaciares, cobrindo aproximadamente 700 000 km².
Esta diminuição dos glaciares é consequência direta do aquecimento global, que se traduz num aumento médio da temperatura do ar de 1.44ºC (0.24ºC/década) desde tempos pré-industriais´(1850). Na Europa esse aumento foi de 2.5 ºC (0.56ºC/década); https://berkeleyearth.org/global-temperature-report-for…/
Para estes incrementos de temperatura contribuem de forma significativa as emissões antrópicas de CO₂ (em 2025 ultrapassaram as 38 Gt), situando-se a concentração atual de CO₂ na atmosfera cerca de 52% acima dos níveis pré-industriais.
Van Tricht et al. (2026) https://doi.org/10.1038/s41558-025-02513-9

Dados recentes sugerem que o número de glaciares se reduzirá significativamente até ao final do século:

– 66% se a temperatura atingir 2ºC acima dos valores de 1850.
– 79 °C se a temperatura atingir 2.7ºC acima de 1850.
O DIFÍCIL CONVÍVIO ENTRE O HOMEM E A NATUREZA
(*)João Mata é professor catedrático (associate professor) no Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), com atividade de investigação centrada em petrologia ígnea e geodinâmica química
Universidade de Lisboa

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