JPP mostra-se indignado com “bloqueio de biópsias à tiróide” no SESARAM

O Juntos Pelo Povo (JPP) manifestou este domingo a sua “mais profunda indignação e preocupação” face à gravíssima situação de ruptura no SESARAM, neste caso concreto envolvendo os utentes diagnosticados com patologias graves da tiróide e referenciados para a realização urgente de biópsias, que estão a ser confrontados com a paragem total destes procedimentos diagnósticos na saúde pública, afiança o partido.

Esta paralisação deve-se à falta de recursos humanos qualificados, deixando centenas de doentes num limbo clínico inaceitável e perigoso, diz a deputada Patrícia Spínola.

As denúncias que chegaram ao Grupo Parlamentar do JPP expõem a falta de resposta do Serviço de Endocrinologia. Atualmente, o SESARAM não realiza biópsias à tiróide porque as duas únicas médicas habilitadas para o efeito estão completamente exaustas e absorvidas por outras áreas de intervenção urgentes, nomeadamente as ecografias e biópsias mamárias.

“Esta sobrecarga humana e técnica inviabiliza qualquer capacidade de resposta às patologias da tiróide. Mais intolerável ainda é o facto da direcção do próprio serviço já ter alertado formalmente, e por repetidas vezes, a Direcção Clínica e o Conselho de Administração do SESARAM sobre este cenário de ruptura eminente. Perante o colapso anunciado, a tutela optou por ignorar a realidade”, afiança a parlamentar.

Patrícia Spínola refere que a situação ganha “contornos de manifesta ilegalidade” quando o SESARAM recusa emitir credenciais para que os utentes possam realizar as biópsias no sector privado convencionado.

“Trata-se de um bloqueio administrativo injustificável que viola os tempos máximos de resposta garantidos aos cidadãos. Ao travar o acesso ao privado, o Governo Regional empurra os doentes para uma escolha difícil: ou pagam do próprio bolso exames dispendiosos que deveriam ser assegurados pelo sistema público, ou permanecem em risco de vida numa lista de espera fantasma, aguardando por um diagnóstico que pode ditar a diferença entre a vida e a morte”, lamenta.

Esta denúncia corrobora os dados dramáticos que o JPP tem vindo a expor exaustivamente. O maior partido da oposição diz que a Região enfrenta um sufoco sistémico com mais de 146 mil registos em lista de espera, divididos entre 61mil utentes a aguardar por uma primeira consulta de especialidade e 67 mil à espera de exames de diagnóstico. “Estes números não são apenas estatísticos, são cidadãos madeirenses privados do seu direito constitucional à protecção da saúde”, concluiu.


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