Rui Marote
O leitor tem escutado em comícios ao longo dos anos que a Madeira cobiça ser a Singapura do Atlântico. De comum com a “Singapura do Atlântico”, mantém um regime “social democrata” até os dias de hoje. Mas no que respeita a comportamentos cívicos, nós estamos a milhas.
Singapura tem leis muito duras para garantir que as pessoas não fazem disparates. Além de altas multas por acções simples como deitar lixo no chão ou mesmo pastilha elástica, o país recorre a chibatadas como castigo físico oficial.
Estepilha, somos do tempo do popularmente designado cipó, um ramo flexível de vime, era usado antigamente para castigar ou bater nas crianças.
Este objecto de tortura era comprado no Bazar do Povo. A expressão ” levar uma malha de cipó” faz parte da triste memória colectiva de infância de muitas gerações da ilha.
O Estepilha acha ue as crianças deviam ser deixadas em paz, mas sustenta que há adultos que mereciam uma boa malha de cipó.
Na Singapura asiática, que não a do Atlântico, usam o “rattan”: uma fibra natural extraída de uma espécie de palmeira originária das florestas tropicais da Ásia e da Oceânia. É um material leve, flexível e resistente, amplamente utilizado no fabrico de mobiliário e peças de decoração artesanais.
E foi a contemplar um comportamento impróprio que pensámos que o “rattan” aqui seria bem aplicado…
Dois cidadãos no “calçadão” da Marina do Funchal, sentados no muro, a beber umas cervejolas logo às 8 da manhã, saltam à nossa frente para a pala da cobertura das lojas e escritórios da Marina e fazem da parede da muralha um mictório, primeiro um e depois outro, isto sem que as pessoas que transitavam na Avenida do Mar se apercebessem.
As nossas leis são benévolas. Urinar na via pública é proibido por lei em Portugal, sendo considerado uma contraordenação ambiental e de civismo. As coimas fixam-se habitualmente entre 50 e 250 euros. Mas quantas coimas deste tipo serão aplicadas por ano?? Duvidamos que alguma.
Em Singapura já estavam a levar com o “rattan”. São castigados severamente naquele território os crimes de trânsito e ordem: vandalismo, grafittis, e atravessar a rua fora da faixa de forma reincidente podem levar à prisão. Quanto Às drogas, há tolerância zero: o tráfico é punido com pena de morte por enforcamento.
As ofensas que causam chibatadas são aplicadas sobre a pele nua, causando lesões graves e cicatrizes permanentes. O limite máximo é de 24 golpes por sessão. É obrigatória ou facultativa em mais 30 crimes graves, como agressão sexual, roubo à mão armada, vandalismo, tráfico de drogas e fraudes financeiras. Quem é punido são apenas homens entre 18 e 50 anos julgados clinicamente aptos por um médico. Mulheres e homens com mais de 50 anos são isentos por lei.
Os turistas têm de ter cuidado com o que fazem. Riscar carros, colar adesivos ou grafitar muros rende chibatadas e prisão. Permanecer ilegalmente em Singapura por mais de 90 dias resulta em pena obrigatória de prisão e chibatadas. Lixo e fumo :- jogar um papel de rebuçado no chão ou fumar fora das marcações adequadas gera uma multa imediata: $1000 SGD.
Até nas casas de banho públicas, não dar descarga após o uso é passível de multa pesada. Cigarros electrónicos são proibidos. Ligar a Wi-Fi alheio sem autorização do dono é considerado invasão hacker por lei.
Enfim, são duros em Singapura. Mas não se veem cenas como as que presenciámos e que são o pão nosso de cada dia na Madeira, sem respeito nenhum pelo próximo.
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