O Porto de La Guaira, durante anos um dos principais pontos de entrada de mercadorias na Venezuela, tornou-se num retrato dramático da crise provocada pelos recentes sismos que atingiram o país. Com o colapso da rede hospitalar e dos necrotérios municipais, as autoridades foram obrigadas a usar áreas portuárias como espaço temporário para a gestão dos corpos.
A situação no terreno revela a dimensão da emergência humanitária. Sem carros funerários em número suficiente e perante a escassez de combustível, o transporte de cadáveres passou a ser feito, em muitos casos, por familiares em viaturas particulares, frequentemente cobertas por lonas. A ausência de meios organizados agravou o sofrimento das famílias, que enfrentam o luto sem condições mínimas para os rituais fúnebres.
Dentro do perímetro portuário, peritos forenses trabalham contra o relógio para identificar as vítimas. O calor intenso e a falta de refrigeração aceleram a decomposição dos corpos, dificultando o processo de reconhecimento e obrigando, em muitos casos, à utilização de exames de ADN e de arcada dentária. As equipas trabalham em turnos prolongados para dar resposta a um número muito elevado de vítimas.
Também o setor funerário foi pressionado ao limite. Várias fábricas de caixões estão a operar continuamente para responder à procura, produzindo urnas de madeira simples e de montagem rápida, numa tentativa de acompanhar a escala da tragédia.
AF!
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