Navio com hantavírus ia ficar no Funchal; destino está ainda por definir

O JM adiantou a notícia de que um navio de cruzeiro, no qual foi entretanto detectada a presença de hantavírus, tinha passagem prevista pelo Funchal a 12 de Maio. Trata-se do navio “Hondius”.  A Organização Mundial da Saúde e as autoridades espanholas realizarão uma nova avaliação por epidemiologistas no navio de cruzeiro, que está de quarentena em Cabo Verde, prevendo possível acolhimento do navio no arquipélago das Canárias.

Ao terminar uma reunião com um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) “acordou-se que esta tarde se fará uma inspecção do barco por uma equipa de epidemiologistas”, referiu o Ministério da Saúde espanhol, num comunicado.

“Esta intervenção está destinada a conhecer o estado das pessoas dentro do barco e poder saber se há mais pessoas com sintomas, e que contactos de alto risco ou baixo risco há. Isto vai ajudar às decisões sobre os processos de repatriação e rota do barco”, foi ainda dito.

Espanha propôs que sejam retirados do barco em Cabo Verde os passageiros com sintomas de infeção com hantavírus, assim como os contactos de alto risco, e que o cruzeiro inicie viagem rumo aos Países Baixos, de onde é a empresa proprietária do navio, e só faça escala nas Canárias se surgirem entretanto novas necessidades de atenção clínica, refere o JM/Lusa.

A OMS tinha já dito que o cruzeiro ia sair das águas de Cabo Verde e dirigir-se às Canárias, em Espanha, onde seria feita uma “investigação epidemiológica completa”

O presidente do governo regional das Canárias, Fernando Clavijo, considerou que deve ser dada resposta ao barco e aos passageiros no local em que se encontram, em Cabo Verde, e que depois o navio deve seguir para os Países Baixos, sem parar nas ilhas espanholas.

“Se não há perigo para as pessoas e estão estabilizadas, o razoável é que o barco não faça mais nenhuma etapa entre Cabo Verde e Canárias”, disse Clavijo.

“Se a Organização Mundial da Saúde quer outra coisa terá de o justificar porque obviamente é um assunto que nos preocupa muito. Não temos praticamente informação do vector de contágio”, disse, mencionando que qualquer atenção ou intervenção não deve ser feita “com todas as garantias para as pessoas que estão no barco, mas obviamente também para os habitantes das Canárias”.

O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de Março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

A OMS confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.

Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de Abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.

Os cinco casos suspeitos são os dois passageiros que morreram em 11 de Abril (um homem) e 02 de Maio (uma mulher) e três que estão a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, dois deles elementos da tripulação.

Os hantavírus podem passar de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou minúsculas partículas expelidas pela urina, fezes ou saliva de roedores infectados, particularmente em locais fechados ou mal ventilados.


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