A exposição “Coisa-Comum”, do artista madeirense Hélder Folgado, será inaugurada esta quarta-feira, dia 10 de Dezembro de 2025, às 17h00, na Fortaleza de São João Baptista do Pico (Fortaleza do Pico), no Funchal. O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, estará presente no evento.
“Coisa Comum”, apresentada anteriormente no Sismógrafo, no Porto, chega à Madeira pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direcção Regional de Cultura, transformando a histórica fortificação numa plataforma de diálogo entre a herança do território e a arte contemporânea, refere uma nota da SRTAC.
“Coisa-Comum” é definido como um conceito operativo e um exercício especulativo que se propõe a abordar os processos de ordenamento do território à luz da transmissão de heranças, especialmente as que derivam de usos e costumes. A exposição visa analisar as camadas de significados e funções que se sobrepõem e dialogam, criando “vasos comunicantes”— pontes conceptuais que ligam escalas, padrões e dimensões aparentemente distintas. O objectivo final é explorar as tensões e os espaços de interação de ideias, formas e contextos que perduram em diferentes momentos da história, moldando a relação com o lugar.
Na perspectiva crítica de Samuel Silva, autor do texto que acompanha a mostra, a obra de Folgado reflecte a ideia de que a busca pela unidade fundamental se encontra na pluralidade, citando Francisco Tropa e J.W. Goethe.
Silva refere que “O mais difícil para um artista é fazer sempre a mesma coisa de forma diferente”, sugerindo que Folgado persegue uma unidade subtil na multiplicidade, e conclui que a procura pela “raiz das coisas encontra-se na pluralidade e em sucessivos encontros comuns – sempre incompletos e plurais”. Os quatro trabalhos propostos nesta exposição constituem “diferentes finitos que apontam para uma mesma direção infinita”, suscitando as questões centrais do projeto: Como habitamos os lugares onde estamos juntos? Como nos relacionamos? O que é o comum?
Hélder Folgado (Madeira, 1983), que vive e trabalha no Funchal, possui uma prática artística focada na geografia humana e nos mecanismos de transmissão cultural, explorando profundamente as relações entre território, identidade e memória coletiva. O artista integra e combina diversos meios expressivos, sempre em estreita relação com as especificidades dos espaços e das comunidades onde trabalha, mantendo a sua arte como uma plataforma constante de mediação social e política.
O governante com as tutelas do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, refere que a chegada do projecto à Madeira representa mais um passo na dinamização dos equipamentos culturais da Região, promovendo novas leituras sobre o território e incentivando o diálogo entre artistas, habitantes e visitantes. O governante acrescenta: “A apresentação de ‘Coisa-Comum’ na Fortaleza do Pico insere-se na estratégia de valorização do património cultural madeirense, reforçando o papel destes espaços históricos enquanto lugares de criação, reflexão e aproximação entre a comunidade e a arte contemporânea”.
Eduardo Jesus frisa ainda a importância de dar espaço e “voz” aos novos talentos da arte regional, que tem sido uma das apostas da Direção Regional da Cultura através dos seus espaços. O secretário regional elogia ainda o percurso de Hélder Folgado não só como artista com variadas exposições no currículo, mas também como assistente na Porta 33 e como director artístico na Galeria da Boa Viagem.
A exposição tem entrada livre e poderá ser visitada até Fevereiro de 2026.
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