Num regresso a Dublin, capital da Irlanda, tivemos o prazer de visitar o Museu da Emigração, considerado a melhor atracção turística da Europa 2019-2020 e que recebe nada menos de 350 mil visitantes anuais. Localizado nos CHQ Buildings, um edifício moderno construído nas docas do rio Liffey, perto do grande edifício da Alfândega, numa das zonas mais históricas de Dublin, fica na margem do rio Liffey, no ponto de partida original da maioria dos emigrantes irlandeses para os 170 países espalhados nos sete continentes.
Sendo oriundo de uma ilha de onde emigraram milhares de madeirenses, senti a obrigação de visitar e saber um pouco da história da diáspora irlandesa em todo o mundo. Este é museu de propriedade privada, projectado pela empresa de design Event Communications, com sede em Londres. Tem um cariz moderno e digital, usando multimédia para contar a história da emigração da Irlanda.
Venceu três anos consecutivos, em 2019, 2020 e 2021 o prémio World Travel Awards como a melhor atração turística da Europa. Prémio disputado entre locais como a Torre Eiffel, o London Eye, o Titanic-Belfast e mesmo a Guinness Store House.
No ano passado, este foi um dos 14 finalistas mundiais, enfrentando locais como o Taj Mahal- India, a Acrópole de Atenas, Machu Picchu, no Peru e a Grande Muralha da China.
A entrada no museu, designado de “EPIC”, não é nada barata. São 23 euros. Fui o primeiro visitante de uma fila que já ía longa. Aqui, apresentámos a nossa carteira profissional de jornalista: de imediato obtivemos um ingresso grátis ,um “passaporte” que os visitantes podem carimbar em cada galeria. A carteira profissional de jornalista é um documento reconhecido e que concede livre passagem em imensas localidades do mundo. Só na Madeira é que parece não valer nada e não ser reconhecido pelas autoridades nem sequer para não aborrecerem os jornalistas ao tirarem fotografias em lugares públicos.
Descemos até as galerias subterrâneas e iniciámos a visita. Este museu tem como principal objectivo contar histórias, desvendando trajectórias de vidas que começaram na Irlanda e seguiram pelo mundo afora, espalhando a cultura irlandesa ao redor do mundo.
Ouvimos histórias não só de pessoas famosas mas de famílias inteiras que se mudaram da Irlanda em períodos de crise para encontrar em outros países um local para viver melhor.
A mais alta tecnologia está disponível para ver e escutar essas histórias contadas nos écrans “touch” que exploram as viagens dos irlandeses pelo mundo em enormes telas, com vídeos, jogos para crianças e muito conteúdo digital, disponível nas mais diferentes formas. Há vários exemplos: uma biblioteca onde o visitante pode explorar várias obras literárias irlandesas por meio de um grande livro digitalmente criado para ser folheado sem a necessidade de tocá-lo, por exemplo.
Noutra área, encontramos um pub tipicamente irlandês recordando músicas tradicionais e jogos “quiz” por meio de uma tela televisiva. Há espaços dedicados à ciência, à política, às artes visuais, artes plásticas e musicais, danças tradicionais irlandesas, etc.
Existe ainda um Centro de História Familiar Irlandesa para ajudar os visitantes a conectarem-se com os seus antepassados e uma exposição sobre o passaporte irlandês.
Permanecemos cerca de 1h30 mergulhado nesta tecnologia de ponta para entender melhor a história da Irlanda e da sua influência noutros países do mundo. Deixo-vos as fotos que não traduzem devidamente a dimensão e a grandiosidade deste museu.
Já no exterior, questionámo-nos se a nossa ilha não mereceria um Museu de Emigração. No refrão da letra do nosso hino regional diz-se: “Por esse Mundo além/ Madeira teu nome continua, /Em teus filhos saudosos, /Que além fronteiras,/De ti se mostram orgulhosos/Por esse Mundo além/ Madeira, honraremos tua história…
O nosso Museu de Fotografia Atelier Vicentes tem um espólio valiosíssimo, documentando a partida de madeirenses para diversos destinos. Brasil, Estados Unidos e Canadá no século XIX, Curaçau e Aruba no séc. XX, países europeus como a Suiça, a França e Reino Unido, o Brasil, o Canadá, o Panamá, as ilhas do Canal, Moçambique, África do Sul, Austrália… nos quatro cantos do mundo.
Basta querer fazer um museu deste tipo. Seria um contributo desta geração para rememorar as anteriores, e se calhar de grande interesse turístico, também.
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