
Nelson Veríssimo
CAMPANÁRIO
O topónimo poderá ser explicado pela existência de um pequeno ilhéu, junto à costa desta localidade, que, aos primeiros povoadores, fez lembrar uma torre sineira, vindo a ser denominado de Rocha do Campanário ou, simplesmente, Campanário. Segundo João de Freitas Drumond (1760-1825), parecia «uma sineira por ter duas altas pernadas, uma das quais o mar derrubou no primeiro de novembro de 1798».
Não se conhece a data da fundação da paróquia do Campanário, mas existia já em 1518, tendo como orago São Brás. Nesse ano, era seu vigário o padre João Barroso.

Antes de ser paróquia, esta povoação tinha um capelão que auferia 6000 rs. de mantimento, por ano, como ficou registado nas contas de 1509.
Em 1532, procedeu-se à reconstrução da Igreja de São Brás, na Ribeira dos Melões, visto a mesma ter desabado.
No sítio digital da Junta de Freguesia do Campanário afirma-se, sem qualquer fundamentação histórica, que a freguesia foi fundada em 15 de maio de 1515.
A sagração da atual igreja, com projeto do arquiteto João Filipe Vaz Martins (1910-1988), ocorreu em 15 de dezembro de 1963.

Substituiu o antigo templo que, no frontispício, tinha inscrito o ano de 1683, data que corresponde à sua reedificação. Foi demolido na década de 50 do século XX, no decurso da construção da nova igreja.
No Campanário dos finais do século XVI, segundo Gaspar Frutuoso, predominavam «terras de criações e lavoura de trigo e centeio, por ser gente montanhesa, dados mais a criar gado que a cultivar vinhas, nem outras fruteiras» (1584, cap. XVII). A falta de água para irrigação das terras era, por certo, uma condicionante da atividade agrícola.
O Feiticeiro do Norte (Manuel Gonçalves, 1858-1927) dedicou uma quadra ao Campanário, na qual sobressai a paisagem agrícola desta freguesia: «Campanário é muito seco / mas dá vinho primoroso / pêssegos, fruta de leite / o perinho saboroso.»

Como bem escreveu Raimundo Quintal: «Na segunda metade do século XIX e especialmente nas décadas de cinquenta e sessenta do século XX, a cordilheira central foi perfurada. A água trazida do Norte, na escuridão de extensos túneis e em aquedutos riscados nos abismos, mudou a paisagem de vastas áreas que desde sempre foram palco da agricultura de sequeiro. Campanário, Quinta Grande, Estreito e Câmara de Lobos verdejaram com a água da Levada do Norte.» (2011, p. 141). A levada do Norte foi construída entre 1947 e 1952.
Grande parte da ação do romance ‘Deus na escuridão’, de Valter Hugo Mãe, publicado em 2024, decorre no Campanário.
Esta freguesia pertenceu ao município do Funchal até 4 de outubro de 1835, data em que passou a integrar o concelho de Câmara de Lobos. Em 1914, foi integrada no recém-criado município da Ribeira Brava.
Conforme os ‘Censos de 2021’, a freguesia tinha 4317 habitantes. Verifica-se um decréscimo populacional desde 1960 (6228).
O Recenseamento Eleitoral, de 31-12-2024, regista 4653 eleitores nacionais, 4 da União Europeia e 8 outros cidadãos estrangeiros residentes.

Heráldica da freguesia: Armas – Escudo de verde, com um monte de prata movente dos flancos e de campanha diminuta de verde e prata de três tiras ondadas; em chefe, à dextra, cacho de uvas de ouro sustido de prata e, à sinistra, um feixe de três espigas de trigo de ouro, atadas de prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “CAMPANÁRIO “. (Diário da República, n.º 65, 3.ª Série, Parte A, 17-03-2004).

A representação heráldica alude ao ilhéu que teria dado nome à povoação e também a duas importantes culturas agrícolas, a vinha e o trigo.
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