O Bloco de Esquerda Madeira manifesta a sua profunda preocupação com a situação de degradação a que chegou a Zona do Fanal, um património natural único e insubstituível que deveria ser objecto da mais rigorosa protecção por parte da Região Autónoma da Madeira.
O Fanal, parte integrante da Laurissilva classificada como Património Mundial pela UNESCO, está hoje a ser destruído por falta de medidas de conservação e de ordenamento, considera o BE. O que deveria ser um espaço de contemplação e preservação transformou-se num cenário de abandono, onde a pressão turística está a comprometer a regeneração da floresta e a ameaçar a sobrevivência de árvores centenárias.
O Bloco de Esquerda considera inaceitável que a única resposta do Governo Regional tenha sido a criação de mais espaços de estacionamento, permitindo um fluxo descontrolado de visitantes, sem qualquer limite definido para a capacidade de carga da área. Esta ausência de gestão revela uma política de turismo predatória, que trata a Madeira apenas como um produto a ser vendido, em vez de um território a ser preservado, diz Dina Letra, coordenadora do BE-Madeira.
“Defendemos que é urgente impor um limite de visitantes diários no Fanal, garantindo que a presença humana não compromete a sustentabilidade do ecossistema. É igualmente fundamental reforçar a vigilância com guardas florestais capazes de assegurar que os visitantes respeitam as regras de proteção do espaço, prevenindo práticas abusivas, como já foi denunciado no caso de turistas a trepar árvores centenárias. Também é indispensável repensar a forma como o pastoreio é feito dentro da área protegida, assegurando a regeneração natural dos tis e de outras espécies autóctones”.
Para o Bloco de Esquerda, a situação actual do Fanal é o reflexo de um modelo de governação que coloca o lucro imediato acima da preservação do património natural. O Fanal não pode continuar a ser apenas uma montra turística, sem qualquer investimento sério em conservação e reabilitação, sentencia o partido.
“A Madeira não pode ser vendida ao desbarato. Cabe ao Governo Regional garantir que este património natural é preservado para as gerações futuras. É tempo de coragem política para impor restrições, proteger a floresta centenária e assumir que o verdadeiro valor da Madeira está na sua natureza e não na sua exploração sem regras”.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.







