Santa Cruz: casa dos Barretos em ruínas e capela saqueada

Rui Marote
Deixar o património em ruínas é o que está acontecer na Madeira. Parece uma “doença” contagiosa que se espalha por toda Região Autónoma, para a qual ninguém arranja soluções e da qual ninguém quer saber. Todos “sacodem a água do capote”.
Descobrimos no concelho de Santa Cruz uma casa solarenga dos finais do século XVII, dos morgados Barretos, no Sítio da Calçada de São Gil, em ruínas. Até 2014 os seus proprietários ainda ali viviam, embora as condições de habitabilidade fossem débeis. O primeiro dono deste imóvel foi Bartolomeu Telo de Menezes. Falámos com um bisneto do Dr. Remígio Barreto que nasceu e viveu até aos 28 anos de idade nesta casa. Hoje a casa está neste estado (ver fotos).
Anexada  a este imóvel há uma Capela do ano 1700, século XVIII, de devoção a Nossa Senhora da Conceição. Está encerrada e no seu interior já nada existe. Tudo foi saqueado com ajuda de um pé de cabra: os quadros e todo restante recheio foram roubados. Só existem paredes.
O padre Fernando Augusto da Silva que em 1946 fez um inventário de todas as capelas e igrejas na Madeira, escreveu um livro inventário intitulado “Subsídios para a História da Diocese do Funchal” a que fomos beber informação sobre esta capela na pág 315.
Infelizmente não existe segunda edição, o que muito ajudaria a Diocese a saber o que tem em termos de património religioso. A DRC deveria reeditar este livro para fazermos o balanço do que o vento levou e do que existe actualmente.
Ficamos com aquela frase de alguém ligado à Igreja, que disse “quem quer património que o pague”. Ámen, dizemos nós.

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