Quinta da Piedade expropriada há 17 anos agoniza no Jardim do Mar

Rui Marote
Parece que o Governo Regional aguarda que deste solar que é a Quinta da Piedade, no Jardim do Mar, não reste nem uma pedra. O Funchal Notícias  alertou em 2017-2019 e 2023 através  do nosso colaborador Nelson Veríssimo, para o crescente estado de degradação do mesmo.
Ao longo destes anos o processo foi levado de Anás para Caifás, de Pilatos para Herodes que o devolveu a Pilatos.
O edifício agoniza no Jardim do Mar. Se nada for feito este património vai desaparecer da nossa história. Estivemos no Jardim do Mar e fotografámos esta quinta que se esconde no meio da matagueira com os telhados a abater, sem janelas. Resta uma capela encerrada a sete chaves. Desconhece-se o estado do interior.
Esta quinta deverá  ser única na Madeira pelo facto de ter pertencido sempre a uma só família, os Vasconcelos. Embora expropriada com a finalidade de criação de um Centro de Dia em 2008, o processo foi contestado judicialmente por parte dos antigos proprietários. Até hoje nada se resolveu.
Houve duas expropriações:- a primeira” para uma obra de estacionamento e de um arruamento, e a segunda para a construção de um Centro de Dia para a terceira idade do Jardim do Mar. Mas a obra não avançou por alegadas questões financeiras.
O segundo processo de expropriação  encontra se em tribunal devido a recurso dos proprietários. Em 2015 a deputada Sofia Canha interpelou o secretario regional com este pelouro com a finalidade de saber a perspectiva concreta para recuperar o edifício classificado na posse do Governo.
Na altura Sérgio Marques declarou que o Governo Regional tinha indicações de que a conclusão do processo estaria para breve. Mas parece que se deu o dito por não dito.
Em 2018 o vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, disse que “nada obstava a que o Solar fosse rentabilizado, atendendo a que a propriedade era da Região.
Parecem esquecer que passados 17 anos se os bens expropriados não foram aplicados ao fim a que se determinou, a expropriação é nula.
Viveu neste solar a escritora Luzia ,que deixou registo da sua estadia em “Almas e Terras por onde passei” (1936). Era casada com Francisco  João Vasconcelos Couto Cardoso, filho do último  morgado do Jardim do Mar.
Todo o recheio foi retirado em Janeiro de 2019 pelos herdeiros.
Assim se apaga a história deste povo heróico  e valente que é mencionado no muito tocado hino da Região.

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