“Ou Ganho ou Morro”: A Tragédia de Francisco Lázaro na Maratona de Estocolmo 1912

Foto: D.R. – Francisco Lázaro

AF!

Estocolmo, 14 de julho de 1912 – 32 °C à sombra, terreno seco e terreno duro. Entre os 69 maratonistas alinhados na partida estava um português até então desconhecido: Francisco Lázaro, 21 anos, carpinteiro de Lisboa e campeão nacional da maratona. Vestia a camisola branca com o número 33 e, delicadamente costurada no peito, uma fita com a promessa feita à esposa grávida: “Ou ganho, ou morro.”

Ao toque do sinal, Lázaro partiu confiante, acompanhado pelo ritmo moderado dos favoritos, mas determinado a impor-se. Durante a corrida, o calor extremo e o forte reflexo do sol sobre o calçamento desgastado começaram a cobrar seu preço. Na altura, desconhecia-se o perigo de expor-se tanto ao Sol sem proteção adequada: Francisco cobriu-se o corpo com cera para evitar bolhas, impedindo a pele de suar e de regular a temperatura.

Percorreu quase 30 km em condições extenuantes, mantendo passo firme e semblante concentrado. Ao ultrapassar o Parque de Skansen, começou a sentir tonturas. A cera bloqueara sua única forma de termorregulação e, sem perceber, acercou-se do esgotamento por desidratação.

Pouco antes de completar 37 km, ao passar diante de milhares de espetadores na Strandvägen, sentiu um mal-estar súbito e reclinou o corpo para a berma. Foi ajudado, mas caiu inconsciente. Ainda viveu alguns minutos, mas não resistiu. A causa oficial: insuficiência cardíaca aguda agravada por hipertermia e desaceleração da sudorese.

Francisco Lázaro tornou-se o primeiro atleta olímpico a morrer em competição. O seu corpo foi transportado de volta a Lisboa, recebido em cortejo fúnebre pela cidade inteira. À esposa, deixou o legado trágico de uma promessa levada a ferro e fogo – “ou ganho, ou morro” –, cumprida em Oslo, mas paga com a própria vida. O episódio levou o movimento olímpico a rever as normas de segurança nos eventos de resistência, introduzindo pontos de hidratação e proteção térmica para evitar futuras perdas tão dramáticas.

Imagem criada por IA

 


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