Quando o Grande Canal Secou: A Monumental Drenagem de Veneza em 1956

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Em 1956, Veneza realizou uma das mais singulares intervenções na sua história secular: a drástica limpeza e drenagem do Grande Canal. Por semanas, toda a enorme via aquática — que serpenteia pelo coração da cidade, ladeada por palácios renascentistas — foi esvaziada de as suas águas para permitir:

  1. Remoção de sedimentos acumulados ao longo de séculos, que ameaçavam acelerar o assoreamento das margens e dos fundões em frente aos palácios.
  2. Reparos nas fundações de madeira e pedra das edificações canalinas, muitas delas ameaçadas pelo desgaste causado pela lama.
  3. Inspeção e renovação dos sistemas de drenagem subterrâneos (os “scolo”) que ligam o sistema de canais às lagoas, fundamentais para a circulação de marés.

Equipamentos de bombas de alta capacidade foram instalados nos acessos à lagoa externa, e barcaças de grande porte conduziram os sedimentos retirados para aterros controlados. Oficinas de restauração flutuantes habilitadas içaram vigas e estacas de carvalho sob os cais, enquanto arqueólogos documentavam achados de ânforas e pedaços de embarcações antigas emergidos no leito.

O espetáculo, acompanhando multidões nas pontes, durou cerca de dez semanas. Ao final, o Grande Canal revelou um leito renovado, as fachadas recobertas pelo brilho original da pedra e dos estuques, e um sistema de escorrimento recuperado. Esse feito único reforçou a capacidade engenhosa e o compromisso de Veneza em proteger seu património flutuante, adaptando-se às crescentes demandas de conservação de uma cidade construída sobre a água.


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