Rui Marote
Caminhando para três séculos de história, a fonte de Santo António da Serra geralmente conhecida como Fonte do Bispo ou Fonte dos Ingleses, é um fontanário localizado na freguesia de Santo António da Serra. O Funchal Notícias visitou este património que infelizmente tem como “vizinho” um sistema interceptor de águas residuais e estação elevatória Nº2 que entrou em funcionamento a 3 de Abril de 2013.
Muitos residentes do concelho desconhecem esta” jóia” patrimonial e a sua história.
Uma placa assinala o local em dois idiomas, Português e Inglês. O acesso faz-se através de uma escada de pedra basáltica a um nível abaixo da estrada que dá acesso ao centro da vila, escada essa sem ervas e bem conservada. As múltiplas designações dadas a esta fonte devem-se ao facto da residência de Verão do bispo do Funchal em tempos situar-se nas proximidades, e também à presença de um grande número de ingleses naquele local.
No interior deste fontanário é possível ver algumas inscrições de ingleses, que moravam em quintas no Santo da Serra, assim como forasteiros estivais e soldados ingleses que ocuparam a Ilha da Madeira entre 1807 e 1814. As paredes laterais do fontanário estão cobertas de lodo e a erosão das pedras de cantaria desgastaram esses “autógrafos”, não sendo os mesmos hoje muito perceptíveis.
Numa foto do Museu Vicentes junto à bica, pode ver-se um homem e uma bilha.
Hoje está lá imagem de Santo António da Serra.
A bica e corre dia e noite sem qualquer aproveitamento, uma vez que o acesso a esta água torna-se quase impossível: o chão está transformado num lago, não existindo adequado escoamento, e é perigoso para os visitantes, que facilmente podem escorregar e cair.
O fontanário é datado dos finais do século XVII ou do início do século XVIII. Não há certezas relativamente ao ano da sua construção, devido à falta de documentos que o comprovem.
A Fonte de Santo António da Serra é feita de pedra, apresentando um amplo vão em arco de volta perfeita e interior semicircular abobadado. Possuindo estas características, é uma fonte do estilo “tardo-maneirista”.
Havia quem acreditasse que a água destas fontes possuía propriedades curativas e por isso eram também conhecidas como fontes santas. Nos dias de hoje não podemos assegurar que seja uma “bica de água” para matar a sede dos que a visitam: a estação elevatória mesmo ao lado faz desconfiar da pureza desta água.
Esta “má vizinhança”, embora necessária, não ajuda à popularidade de um património algo esquecido.
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