O PS, a banana e as mil e uma cooperativas…

No debate do Programa de Governo, para a área da Economia, a senhora deputada do PS, Sílvia Silva, por quem tenho muito respeito e com quem até partilho ligações familiares, deu-me um exemplo da grande diferença entre ser de direita e ser de esquerda. A grande diferença resume-se, substancialmente, ao conhecimento da economia — conhecer

O PS defendeu, nessa intervenção, a ideia de voltar a abrir o mercado da comercialização da banana a mil e uma cooperativas agrícolas, repetindo um passado que já correu mal. Mas o mais importante é perceber porque é que correu mal no passado e, neste caso, a resposta é aquela frase bem conhecida: “É a economia, estúpido!”

Vamos por partes: numa economia onde o poder negocial está fortemente do lado das cadeias de distribuição e dos retalhistas — como acontece no setor da comercialização alimentar, uma realidade bem conhecida por todos —, se tivermos quatro ou cinco agentes económicos diferentes a competir entre si para conseguir vender o seu produto a esses poucos retalhistas alimentares, o que acontecerá é que o preço de venda da banana a esses retalhistas continuará a baixar. Isso reduzirá a capacidade de pagar melhores preços aos produtores, transferindo as margens de lucro dos produtores e dos grossistas para os retalhistas, que exercerão cada vez mais pressão sobre os diferentes grossistas (as tão ambicionadas cooperativas), que continuarão a baixar o seu preço de venda para não perderem vendas para a cooperativa vizinha, disposta a vender a mesma banana por um preço inferior.

Quando se criou o “monopólio da banana”, a ideia foi aumentar essa força negocial desse único grossista. Como os retalhistas só podem comprar a banana através de um único canal, perdem capacidade de pressionar a redução desse preço e, dessa forma, consegue-se manter o preço de venda da banana aos retalhistas mais alto. Esse preço mais alto permite pagar melhores preços aos produtores, que — acredito — é a boa intenção que todos nós temos (inclusive o PS).

Assim sendo, a solução nunca poderá passar por perder essa vantagem negocial obtida através da centralização da comercialização num único grossista. Esta é a realidade e, como escrevi anteriormente: “É a economia, estúpido!”

Como disse anteriormente, acredito nas boas intenções por detrás da proposta do PS e também acredito — e defendo — que é necessário pagar mais ao produtor de banana. Mas isso deverá fazer-se através da obtenção de eficiências nesse único grossista, aproveitando as economias de escala que advêm da GESBA ser a única grossista e, com isso, reduzir potenciais custos desnecessários e, através dessa melhoria de margem, conseguir pagar melhor aos produtores. Destruir tudo o que ganhámos com essas economias de escala e com as vantagens competitivas na negociação não é, nem pode ser, a solução — porque esse é o caminho para perder a sustentabilidade do setor, perder rendimentos e regressar a um caos que não beneficia ninguém.

Isto é, claramente, o que — no fim do dia — nos separa! O que separa a direita da esquerda é que, à direita, conhecemos como funcionam os mercados, acreditamos neles e sabemos como os regular de forma a não destruir o futuro das pessoas.


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