Memórias: garrafa de “Madeira” furtada do edifício dos CTT

Rui Marote
“Se a minha memória não me atraiçoa”, como dizia o meu ilustre professor de Português Alfredo Ferreira de Nóbrega que memorizava as páginas dos Lusíadas, esta história decorre como se segue: Decorria o ano de 1982 e o ministro dos transportes e telecomunicações do VI governo constitucional, presidido por Sá Carneiro, era o Engº Viana Batista, que presidiu ao lançamento da primeira pedra  do então novo edifício dos Correios na margem esquerda da Ribeira de São João.
Ao serviço do Jornal da Madeira, fiz a cobertura dessa cerimónia. Recordo que na altura o Dr. Pereira de Gouveia era o coordenador dos CTT na Madeira. Era exímio na arte de bem receber e programar estas cerimónias.
Para assinalar a ocasião a ERG, a construtora, preparou uma pequena “cova” onde ficou depositada uma garrafa de vinho Madeira e um pergaminho com assinaturas, assinalando o lançamento da primeira pedra. O Ministro, o presidente da Assembleia Regional, Emanuel Rodrigues, e o Presidente do Governo Regional Alberto João Jardim “selaram” com concreto a caixa onde estava a garrafa do precioso néctar e o pergaminho.
Recentemente, ao ler  uma noticia no Google sobre uma garrafa de 119 anos com uma mensagem histórica, que foi encontrada durante a restauração do Teatro do Rei na Escócia, lembrei-me deste episódio. Fez-me reviver, 43 anos passados, o que aconteceu à garrafa depositada nos terrenos onde hoje é a rotunda – bifurcação da Avenida Calouste Gulbenkian e a Rua Brito Câmara.
Lembremo-nos então da recente descoberta da garrafa do Teatro do Rei em Edimburgo, deixando para o ultimo parágrafo o destino da garrafa de vinho Madeira.
Durante a restauração do teatro escocês, um dos engenheiros descobriu uma surpreendente garrafa de vidro com uma mensagem preservada há 119 anos. Colocando a mão atrás de uma coroa de gesso, encontrou o objeto. Uma garrafa que permaneceu fechada durante meses, pois a sua tampa havia sido selada com gesso. Só em Fevereiro deste ano uma técnica em vidro conseguiu remover a base e ganhar acesso ao conteúdo.
Dentro da garrafa, os pesquisadores encontraram um bilhete datado de de dois meses antes da inauguração do teatro em 1906.
O documento continha o nome dos trabalhadores responsáveis pela construção do espaço incluindo arquitectos, construtores e gessistas. A mensagem foi deixada como uma espécie de cápsula do tempo em homenagem à equipa envolvida na obra.
Foi realmente como uma cena de Indiana Jones. Os curadores do Teatro do Rei planeiam usar essa descoberta para criar uma exposição no novo espaço
do teatro que está a passar  por uma reforma no valor 40 milhões de libras.
Entretanto e voltando à Madeira,  a nossa garrafa não durou 41 anos, o tempo de existência do edifício 2000…
O néctar dos deuses permaneceu enterrado apenas umas horas e alguém durante a noite “profanou” a “tumba”. O novo dia nasceu e a garrafa voou… Até aos dias de hoje nunca foi descoberto o actor deste “sacrilégio”.

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