Rui Marote
A figura do alojamento local surgiu pela primeira vez em 2008 com a publicação do Decreto-Lei 39/2008, 7 de Março que no seu artigo 3º, previa : “Consideram-se estabelecimentos de alojamento local as moradias, apartamentos e estabelecimentos de hospedagem que, dispondo de autorização, prestem serviços de alojamento temporário, mediante remuneração, mas não reúnam os requisitos para serem considerados empreendimentos turísticos”. Porém, a tradição na Madeira é bem mais distante e até poderia mencionar-se, como exemplo, a data 1847, quando o Sr. Jonh Adams Dix, futuro Mayor de Nova York, desembarcou na Ilha da Madeira. Foi recebido por um padeiro, de origem italiana, que tinha uma “Boarding House ” e aí ficou alojado. Aquilo a que no século XIX se chamava “boarding house”, damos nós hoje o nome em português de Alojamento Local…
O sr. Dix passou aí nessa casa cerca de dois meses, o que na altura era considerado aluguer de curta duração… e escreveu, depois, um livro sobre o impacte que o turismo de saúde estava a ter na ilha.
Hoje as pessoas, pelo menos as mais velhas, interrogam-se o que são aquelas caixinhas ou cadeados afixados nas portas e nas parede dos edifícios, um pouco por toda a Europa?
Acabamos de chegar da Hungria, mais precisamente da cidade de Budapeste, numa escapadinha ao país dos magiares.
Pela primeira vez, utilizámos este tipo de alojamento que virou na moda. “O cofre de chaves é o teu porta-chaves”. Tem-se assim a certeza que as chaves do alojamento ficarão guardadas num local seguro, mas também ao alcance do viajante independente. Recordamos como se escondia a chave do quartos em casa, quando havia crianças, na nossa infância…. para que ninguém se trancasse à chave. Hoje podemos deixar de esconder as chaves no vaso ou debaixo do tapete e mantê-las em segurança sem preocupações, com estes pequenos cofres-cadeados.
Nos dias que decorrem os paizinhos e as mãezinhas dão desde muito cedo as chaves da porta de entrada aos filhos. No tempo em que éramos jovens, essa “doacão” não existia. Os pais controlavam a entrada e saída dos filhos. Foi aos 17 anos que recebi pela primeira vez a chave da casa dos meus pais… Havia regras de chegar até às 23 horas! E também aos fins de semana tínhamos de obedecer ao toque de recolher.
A minh mãe dava uma tolerância e deixava a chave no patamar da janela por detrás do tapassol, sem o meu pai saber. Hojem em dia tudo isto é história… Os pais estão a sair para o trabalho e os filhos a chegar das discotecas e dos bares.
Mas o objetivo deste apontamento é narrar a pequena odisseia vivida em Budapeste. Sou um experiente viajante e nunca pensei viver problemas com estas trapalhadas do self-check-in. Resolvi trocar o hotel pelo alojamento local. Fiz a reserva pelo Booking e fui informado que receberia os códigos 24 horas antes do dia da entrada. Mas aterrei em Budapeste e o meu telemóvel não registava nenhuma mensagem. Tendo o endereço, caminhei até o local. Ao chegar aguardava-me o “Código da Vinci ” no grande portão de entrada. Mas como abri-lo? Era o busílis da questão. Almocei num restaurante do Bangladesh, nas proximidades, saciando um “apetit” especial por comida asiática. Tarde e mal, finalmente chegaram ao meu telemóvel os famigerados códigos, quando já arrancava os cabelos de irritação. O portão de entrada tinha um código: Ao “Abre-te Sésamo” seguiu-se a caixinha onde estava por seu turno enclausurada a chave do apartamento: mais quatro números o código de acesso. Ultima etapa, segunda porta com novo código e finalmente o elevador de acesso ao andar do apartamento.
Para um velho da minha idade já não é fácil… Assim vai o mundo! Tudo gira à volta dos códigos, que já datam deste a antiguidade mais recuada, sendo usados para mensagens em tempo de batalha.
Em 1948 começou a desenhar-se o início da codificação automática, a percursora do código de barras que foi lançado na década de 1970.
Hoje tudo tem código. É para o telemóvel, para o computador, para as contas bancárias, para os cartões de credito, etc. Quase apetece dizer como no Apocalipse: os dias estão sendo abreviados e chegará o dia em que ninguém possa comprar ou vender senão aquele que tiver o “número da Besta”…
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