Baía do Funchal, um bilhar de três tabelas

foto R. Marote (arquivo)
Rui Marote
O porto do Funchal foi recentemente novamente notícia pelo facto de o navio “Marella Explorer” ter arrancado um cabeço. Ora, explicações? Como dizem os espanhóis a” malapata” tem a mãozinha do famigerado cais 8… Que só  foi cais duas vezes. Hoje chamam-lhe muralha de protecção da marina. Mal empregadas as esmolas da Comunidade Europeia que suportaram em 80 por cento os custos desta obra. Esta estrutura portuária fez do Porto do Funchal uma autêntica  mesa de bilhar francês de três tabelas.
A Madeira tem sido um desastre em infraestruturas  marítimas. Não se aprendem com os erros: marina do Lugar de Baixo, Marina do Funchal, com a respectiva entrada na foz da ribeira, Marina Quinta do Lorde, porto do Porto Santo… continuamos a dar tiros nos pés. Não respeitamos estudos nem opiniões abalizadas e as empresas construtoras que vencem concursos não têm currículo em obras marítimas.
Consequentemente, temos de avançar em força para o aumento da Pontinha se queremos “paz” nesta frente mar funchalense, quer queiramos quer não. Quando o mar está  do quadrante Sul as ondas batem no ex-cais 8, gerando uma autêntica  máquina de lavar… O mar faz ricochete indo na direcção do cais sul e os navios ancorados não suportam este impacto. Esforçam  os cabeços e são repelidos para a direcção da muralha da marina velha… As ondas provocam estragos nos iates e nos fingers. O sujeito desta oração é  o cais 8 que só tem solução com o aumento da Pontinha.
No entanto, tal aumento terá consequências. Em primeiro lugar é uma obra faraónica que custará milhões e até pode tornar significativamente mais feia a entrada da baía funchalense. Em segundo lugar se vierem muitos mais turistas, e admitindo-se que, com mais navios, se descarreguem no porto 15 mil pessoas, se 80 por cento das mesmas realizarem excursões, estamos a falar de de 12 mil pessoas, o que corresponde a cerca de 100 autocarros a circular no Funchal de manhã, em hora de ponta… E o trânsito na ilha, e no centro do Funchal, em particular já está bem complicado…
Deixemos uma memória: Quando a  APRAM  foi chamada a construir o cais 8, hoje muralha de protecção da marina, a então administradora foi aconselhada a não construir, pelos motivos enunciados, que hoje estão acontecer e continuarão a a acontecer em maior escala. A secretária da tutela na altura disse:- “Ou executas o cais 8 ou vais para o meio da rua!” Conclusão: o cais 8 foi construído. Atracaram dois navios e o mesmo encerrou até hoje. Alguém pediu responsabilidades, a União Europeia recebeu de volta os apoios?
PS: A APRAM  está descuidar-se da manutenção da muralha  exterior do Porto do Caniçal. Pode estar em causa o reabastecimento à  Madeira, embora não queiramos ser  profetas da desgraça… manutenção precisa-se.

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