“Xavelha”: embarcações de pesca em risco de desaparecer

Rui Marote
Nos nossos dias, em Câmara de Lobos, os “xavelhas” estão a desaparecer a pouco e pouco, embora ainda subsistam bons exemplos. Davam cor à  baía. Eram às dezenas. Este barco oval incluiu  quatro tábuas na horizontal que servem de assento, e em forma de caixa, tanto no bombordo como no estibordo.
No interior apresenta ripas em semi-círculo vertical. O exterior apresenta uma guia central a todo o comprimento e na sua extremidade possui um hélice.
Possui ainda duas traves laterais, protegidas com uma calha de ferro. É pintado da seguinte forma :”na linha de água “e nas” águas mortas”, são utilizadas as cores vermelho, branco e amarelo .
O bordo é pintado de preto e o interior e os remos de azul. O barco Xavelha também denominado barco de duas proas. É de dimensões médias (até aos sete metros com características herdadas dos anteriores mas já sem capelos  e um cadaste).
Os barcos de 8 e 9 metros  são pintados de verde.
Hoje ao passarmos no varadouro de São Lázaro não resistimos em fotografar esta relíquia cuja importância na história piscatória da RAM os nossos jovens praticamente desconhecem.
Na ultima estrofe do Hino da Região refere-se “honraremos tua história”. Deviam, pois, ser tomadas medidas que impedissem os barcos “xavelha” de desaparecer. Restam-nos, ainda protegidos, o xavelha que está no museu etnográfico da Ribeira Brava e mais dois, um em Câmara de Lobos e um na marina do Funchal, de Manuela Aranha.
O repórter recorda, curiosamente e a respeito, uma frase da  sua própria mãe, de quando tinha 15 anos: “Meu filho, jogas hóquei no União, nadas pelo Marítimo e praticas atletismo no Sporting da Madeira, defendes todas as cores… És como um barquinho de Câmara de Lobos”…

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