Em 2006 Israel atacou o Líbano e deixou Beirute numa cidade destruída. Ainda consegui fotografar vestígios dos ataques, bem visíveis em edifícios. O governo libanês em 18 anos reconstruiu uma nova Beirute graças a um plano arrojado de reconstruir o centro de Beirute, tentando fazê-la voltar a adquirir o estatuto de “Paris do Oriente”.
Para tal chamaram os melhores arquitectos do mundo. Nasceram novos arranha-céus e hotéis de luxo, marinas, avançou-se em escavações arqueológicas, projecto esse que durou 22 anos. Era como que um “novo Dubai”.
Anteontem Beirute voltou a ser bombardeada com a destruição da sede do Hezbollah e a morte do dirigente máximo Hassan Nasrallah.
É triste a constante destruição nesta urbe. Eu vi e registei uma cidade nova, há poucos anos atrás. Ao ver as imagens hoje nos telejornais achei pertinente revisitar a reportagem de Março de 2015 e a minha aventura.
A história de Beirute é muito antiga. O seu nome aparece em inscrições que datam de 14 a.C.
Era uma cidade fenícia na antiguidade. Em 1920 os franceses designaram a cidade como capital do Líbano e o pais só se libertou da França em 1943, quando foi declarada a independência. A arquitectura e a língua absorveram muitos elementos da cultura francesa.
Houve uma guerra civil que durou 15 anos, de 1975 a 1990. Após 16 anos de calma, veio a guerra com Israel em Julho de 2006 um ataque de 34 dias que devastou Beirute, em 14 de Fevereiro de 2005, o primeiro ministro Rafi Hariri foi morto com outras pessoas, quando uma carga de explosivos foi detonada na passagem de sua comitiva para o hotel Saint George’s.
Beirute é uma cidade que sobreviveu a tantas destruições que merece ser chamada de cidade que se recusa a desaparecer.

O hotel Saint George parcialmente destruído e agora em recuperação; a praça em frente em homenagem ao ex-primeiro ministro R. Hariri, morto quando uma carga de explosivos foi detonada na passagem da sua comitiva

Nos tapumes das obras da mesquita, apesar de terem passados 15 anos, a imagem do ex-primeiro ministro está sempre presente.

A guerra civil que durou 15 anos (entre cristãos e muçulmanos) dividiu a cidade por questões étnicas e religiosas. O templo cristão continua destruído, mas a mesquita está reerguida.
Beirute é uma cidade asseada: ruas impecáveis que começam todavia a ser manchadas pela chegada de refugiados sírios reduzidos à pobreza.
Foi este o cenário que encontrei em 2015. Agora Beirute volta a ser atacada. É uma cidade linda. Os libaneses tem de se libertar do movimento terrorista para que o Líbano seja um país totalmente e politicamente credível.
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