
O chefe do executivo madeirense continua tranquilo ” de pedra e cal” perante as críticas sobre o que muitos consideram ser uma gestão ruinosa do incêndio recente que deixou calcinadas as serras da Madeira. A nível regional (inclusive dentro do seu próprio partido) a insatisfação é muita e a nível nacional, a imagem de Miguel Albuquerque encontra-se tremendamente desgastada, ainda para mais, depois do impacto mediático do megaprocesso que levou Pedro Calado à demissão, mas, quem o vê na festa do Bom Jesus de Ponta Delgada, na missa, devoto, e em declarações aos jornalistas, constata que do presidente madeirense só emana tranquilidade e autoconfiança. Parece tão sólido quanto a pirâmide de Keops, no Egipto.
Nem a condição de arguido num processo por alegada corrupção, nem o fogo que lavrou nas montanhas madeirenses enquanto o presidente descansava no Porto Santo (com algumas interrupções em visitas à Madeira, para ver como andavam as coisas) o perturbam minimamente.
Miguel Albuquerque respondeu hoje a questões colocadas pela comunicação social dizendo que Marcelo Rebelo de Sousa nada tem para ver na Madeira, caso o chefe de Estado resolvesse fazer uma visita a este espaço insular; pois só há “mato queimado” que será recuperado. Diz que falou com o presidente da República via telefone e nada mais.
Quanto a prestar contas da sua gestão do incêndio no parlamento madeirense, Albuquerque refere que nada teme, não tem medo de ninguém e muito menos de prestar contas aos deputados, e puxa aliás dos seus pergaminhos para demonstrar que, de resto, o tem feito regularmente e de uma forma que não tem paralelo nos governos anteriores.
Continuando a minimizar a situação, diz que apenas um “núcleo residual da Laurissilva” foi afectado.
E, no mais, recusa “chantagens”, quando as vozes críticas se levantam para pedir a demissão, se não dele próprio, pelo menos de Pedro Ramos, secretário com a tutela da Protecção Civil, e do próprio director da mesma.
O facto de não se terem verificado infraestruturas danificadas nem vítimas é, para Albuquerque, tudo o que interessa.
E insiste que é nas suas mãos que repousa a “estabilidade” da Madeira, estabilidade essa, já se sabe, essencial para o crescimento da iniciativa privada e da produção de riqueza, discurso tão comum na boca de Albuquerque em todas as situações.
Entretanto, o presidente do PS-Madeira, Paulo Cafôfo, publicou hoje na sua página pessoal na rede social Facebook um outro apontamento crítico: o de que o governo regional “está com os cofres cada vez mais cheios e os madeirenses com os bolsos cada vez mais vazios”.
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