Em Junho de 1983 o Marítimo causou sensação em Portugal com uma viagem à Africa do Sul no tempo do “apartheid”, integrado no programa das comemorações no Dia de Portugal que ali tiveram lugar.
O ex-presidente da Assembleia Regional era na altura o Dr. Emanuel Rodrigues, e representava o Presidente da República no “dia da raça” em Joanesburgo, junto da comunidade portuguesa.
A convite do empresário Fausto Pires (ex-dirigente do Benfica) convidou a equipa do Marítimo mais uma selecção nacional de futebol treinada pelo brasileiro Otto Glória, que aceitaram o convite e contrariaram frontalmente o enunciado da ONU, de pronto acatado por todas as federações (FIFA ma primeira linha) no que dizia respeito à ausência de relações desportivas com a África do Sul.
Decorreram 41 anos sobre este jogo ” fantasma”. Na altura tanto a Federação Portuguesa de Futebol (liderada por Silva Resende), como a direcção do Marítimo, na pessoa do presidente António Henriques, desmentiram categoricamente a autorização da viagem.
O problema é que há muitas fotos e documentos. Sem esquecer os oito mil espectadores no Estádio Rand, em Joanesburgo com Emanuel Rodrigues a assistir. O Marítimo fez deslocar ao país do rand :- Quim, Olavo, Quim Manuel, Oliveira, Arnaldo Carvalho, Camacho, Águas, Eduardinho, Maurício, Metralha, Flávio, Nicolau, Duarte e Nanino.
Pela selecção nacional :-Silvino, Gregório Freixo, Artur, Alhinho e Formosinho, Nunes, Paquito, Palhares, Fonseca, Reinaldo e Vitor Santos, Damas, Coelho, Jorge Silva, e Rui Lopes. O árbitro deveria ser António Garrido, que perdeu o voo e só chegou a Joanesburgo depois do jogo. Que grande embrulhada. O jogo terminou com o resultado Portugal 5 , Marítimo 0 .
Bronca histórica. Silva Resende confronta Otto Glória e pede um relatório. O mais estranho disto tudo é que o Marítimo tinha sido alertado pela FIFA que não autorizava a deslocação a Joanesburgo.
O presidente do Marítimo, António Henriques lamentou que a comunicação social se preocupasse com mexericos sem qualquer fundamento. “Desconheço a anunciada presença da equipa principal do Marítimo na Africa do Sul. De concreto apenas sei que um grupo de dirigentes e jogadores verde-rubros se deslocaram a Joanesburgo por ocasião da inauguração de uma filial do Marítimo ,em cerimónia integrada no programa das comemorações do Dia de Portugal que ali tiveram lugar”, disse. António Henriques insistia que “a FIFA não pode castigar uma equipa que não esteve na Africa do Sul”.
Chefiava a caravana o vice-presidente Fernão Freitas e Elmano Coito dirigente do departamento de futebol, um médico, um massagista, um repórter fotográfico, Rui Marote, o treinador adjunto Ângelo Gomes e 14 jogadores.
Cada jogador da selecção ganha 100 contos. Miranda Calha, secretário de Estado dos Desportos fecha-se a sete chaves enquanto Fausto Pires pede uma indemnização de cinco mil contos ao empresário Peter Cooke, responsável pela organização do jogo na África do Sul, que desaparece… para o pagamento dos jogadores portugueses, três milhões de escudos foram disponibilizados por três elementos da comunidade lusa em Joanesburgo: Carlos Paiva, João Canha, e Manuel Braga.
Assistimos no hall do hotel onde estava instalada a comitiva da selecção com os jogadores a montar uma banca e a manifestarem-se pelo cachet aguardado com empresário ausente.
Quanto à comitiva madeirense, “demarches” para marcar viagem de regresso a Madeira não efectuando um jogo programado com o Lusitânia e outro com a filial do Marítimo neste país africano. O vice-presidente Fernão Freitas a braços com o pagamento do hotel da responsabilidade do empresário, e sem dinheiro para pagar.
O madeirense João Canha tesoureiro da federação sul africana e que foi um dos empresários assumir o empréstimo de três milhões de escudos sacudiu a a água do capote e estava sempre ausente.
Foi o repórter Rui Marote que “descalçou a bota”: conhecia Horácio Roque, que na altura não tinha negócios na RAM.
Desloquei-me tipo” Egas Moniz” ao escritório do empresário em plena baixa de Joanesburgo, no último andar de um edifício com 20 andares onde funcionavam os escritórios da TAP no quarto andar. Apresentei o Dr. Fernão ao empresário, que a explicou a embrulhada em que o Marítimo estava metido, sem dinheiro para pagar o hotel.
Horácio Roque disponibilizou os rands necessários comprometendo-se o Marítimo a depositar na Caixa Económica do Funchal o valor correspondente em escudos.
Daí em diante o assunto ficou em banho-maria. A FIFA não age, a Federação não é tida nem achada. Só ao brasileiro Otto Glória é que paga a factura da viagem com a demissão do cargo de seleccionador.
Quem o substitui é Fernando Cabrita. Com ele a selecção dá a volta ao grupo de qualificação e apura-se para o Euro-84.
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