Férias a mais dos professores? Francisco Oliveira separa os mitos da realidade

Francisco Oliveira, coordenador do SPM, apela a uma análise realista aos horários dos docentes, desfazendo mitos.

Em matéria de horários de professores, há que fazer a destrinça entre o mito e a realidade. Quem o afirma é o coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira, no II Encontro do 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Secundário, que decorre no auditório desta estrutura sindical.

De uma forma empírica e errática, o mito tantas vezes enraizado em certas correntes de opinião é o de caricaturar o professor por usufruir de três meses de férias, o que converge para o pregão de muitas férias e pouco trabalho. Francisco Oliveira, quer como docente, quer como coordenador sindical, procurou desmistificar este quadro erróneo, lembrando que, cada aula de 90 minutos, tem a montante um trabalho  não contabilizado mas real de pesquisa, seleção de materiais e escolhas pedagógicas. Mas não só. Pedindo aos participantes no Encontro o cálculo aproximado das horas de serviço, letivas e não letivas, foi fácil concluir que se está perante um grande icebergue, cujo conhecimento público abarca apenas uma ponta. São muitas horas invisíveis de respostas a correio eletrónico, elaboração e correção de testes, construção de grelhas de avaliação, planificações, trabalhos de projeto, enfim, um mundo recheado de atividades que normalmente passa ao lado de certa opinião pública.

Francisco Oliveira também elucidou os colegas sobre a realidade legal dos horários, as reduções letivas por idade, o problema da aceitação das horas extraordinárias nas escolas face à escassez de professores. O debate tornou-se também rico com a participação dos docentes, a exporem as realidades microconjunturais e inquietantes das suas escolas, sobretudo as incompreensões e imposições.

Renato Carvalho, presidente da Secção Regional da Ordem dos Psicólogos Portugueses integrou o painel de oradores, com a comunicação sobre “Saúde Psicológica e Bem-Estar na Profissão Docente: perspetivas para uma ação multinível”. Um entendimento de que o indivíduo é analisado em relação com o contexto.

Renato Carvalho defende que a profissão de professor, apesar de tudo, continua a ser valorizada pela sociedade, já que as famílias confiam nas escolas a educação dos seus filhos. Também é verdade que as estatísticas apontam para um certo desencanto na docência, já que muitos, se pudessem mudar de profissão, já o teriam feito. Uma realidade a merecer atenção a nível institucional, mas também da parte sindical, nomeadamente ao nível de um sindicalismo sério e muito interventivo.


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