Texto e fotos: Luís Rocha
O Funchal Notícias deslocou-se, num destes dias, ao Pico do Areeiro, curioso por avaliar a concentração turística de que tanto se fala. E foi no mesmo dia em que um carro se incendiou lá em cima, pegando fogo a mato e obrigando as autoridades a combater o que poderia ter degenerado num possível incêndio florestal.
O jornalista não deparou com essa ocorrência, da qual só veio a saber mais tarde. Deparou, isso sim, com um cenário algo inusitado.
Saindo de casa ainda no escuro, antes do nascer do dia, a estrada até ao Pico do Areeiro não fazia adivinhar o que se iria encontrar. Só lá em cima, quase a dobrar a curva que sobe para a zona do parque do estacionamento e do radar, se deparou com um verdadeiro engarrafamento de carros, muitos dos quais de aluguer.
Um acontecimento que se nos afigurou estranho, sob a claridade baça da alvorada que se anunciava. Mas era verdade: muita gente tinha tido a mesma ideia e dirigia-se para a zona do miradouro do Juncal, em particular, e para as proximidades da antena de rádio da RDP, para assistir ao espectáculo do nascer do sol.
Eram casais jovens, menos jovens, famílias inteiras das mais diversas nacionalidades, grupos inteiros, entre os quais se contavam também alguns madeirenses. Não estavam a fazer nada de mal, mas preencheram a zona montanhosa quase como o público de um teatro: uma autêntica e extensa plateia aguardando que a “peça” começasse.
Entretanto, o que não faltavam era carros mal parados, até porque, no meio da escuridão da noite, nem se reparava nos sinais de trânsito nem nas linhas amarelas. E, com o parque de estacionamento completamente cheio, as únicas opções eram deixar o carro mal parado na estrada, encostado à berma, ou voltar para baixo, pura e simplesmente.
Uma vez tendo o sol nascido, os turistas começaram, a dispersar, muitos deles a deixarem no entanto o carro no estacionamento, enquanto começavam, em fila indiana, a percorrer o trilho Pico do Areeiro – Pico Ruivo. Um autêntico trânsito, agora este, pedestre.
Limitámo-nos a constatar o que vimos. Ninguém se estava a portar incivilizadamente, todavia, a pressão do número de turistas nestes locais de montanha, era por demais evidente. É naturalmente bom ter turismo – mas ficámos a pensar se não seria demais para o equilíbrio natural desta nossa pequena ilha.
Demorámo-nos cerca de uma hora a observar as imediações. Quando descemos, eram quase 9 da manhã, deparámos já com um agente da PSP dentro de uma viatura policial a tomar notas (matrículas para multar?); mais abaixo, estrada interrompida, com um agente a encaminhar os automóveis particulares que continuavam a chegar para uma zona de estacionamento improvisada em terra batida, que no escuro nos tinha passado despercebida.
Há muito turismo na Madeira actualmente. Há mesmo quem fale em turismo de massas. É bom? Talvez sim, talvez não. Há benefícios económicos a curto prazo. Mas a longo prazo, a Madeira, pequeno destino, aguenta? É algo para meditar e no modelo de turismo que pretendemos.
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