IL critica “solução” do SESARAM para as altas problemáticas

“O SESARAM decidiu transferir as altas problemáticas para os corredores e refeitórios do hospital Dr. Nélio Mendonça e dos Marmeleiros. Foi a solução(?) encontrada para libertar camas para doentes com casos preocupantes”, constata a Iniciativa Liberal, comentando uma iniciativa recente.

“Ainda há dias tivemos a oportunidade de ouvir o Director Clínico do SESARAM a fazer declarações delirantes. Assumiu, que a Madeira quer ter “o melhor Sistema de Saúde do Mundo”. “O nosso objectivo, a nossa visão, é quando um doente dos Estados Unidos, na Clínica Mayo, ou na Suécia, no Karolinska, tem uma doença… há um médico que lhe transmite ‘você tem esta doença’, e então ele pergunta ‘mas eu gostava de ter uma segunda opinião. Sr. Dr. diga-me onde é que eu posso ter uma segunda opinião, quero o melhor sítio do Mundo para ter uma segunda opinião. E na clínica Mayo ou no Karolinska dizem ‘vá ao SESARAM”. Acrescentou mesmo que, em algumas áreas, é o que já acontece”, refere a IL.

“Após anos e anos do maior investimento de sempre no melhor serviço regional de saúde do mundo, foi necessário avançar com soluções que deixam de boca aberta aqueles que olham com espanto para as nossas soluções inovadoras — os americanos e suecos que procuram junto do SRS uma segunda opinião médica de nível mundial, sempre que os médicos locais de referência não os sossegam”, ironizam os liberais.

“Não temos dúvidas que ficam “gobsmacked” ou mesmo “utterly astonished”, para não dizemos “förvånad” ou “djupt beundrad”, com a original interpretação das obrigações e dos cuidados do SRS perante os utentes. Bravo!”, prossegue a ironia.

“Bem sabemos que o problema das altas problemáticas, tem “nuances” que ultrapassam o SRS. As famílias, umas vezes por maldade, outras por falta de condições, pura e simplesmente, deixam os seus familiares nas unidades hospitalares. As altas problemáticas são doentes que tiveram alta, doentes que já não têm justificação para continuarem internados, mas que continuam a precisar de cuidados e atenção. Como tal, deixam de ser um problema de saúde e são um problema de segurança social. O SRS não tem vocação, nem está dimensionado, para resolver estes problemas”, sentencia o partido.

“Saúde é saúde, medicina é medicina e segurança social é segurança social, embora deva haver áreas de complementaridade entre todas. É urgente a criação de lares, num esforço que junte sector público e privado, de modo a proporcionar qualidade de vida a quem trabalhou uma vida inteira. Estranhamos o pouco ou nenhum investimento canalizado pelo PRR para esta área. O que interessa é rebentar com as verbas em perfeitas inutilidades que não resolvem problemas. E este é um deles”, aponta a comissão coordenadora do partido na Madeira.