IL comenta “bloom” e diz: “Queremos a nossa segurança de volta”

A Madeira tem, literalmente, andado nas bocas do mundo por causa da droga “bloom”, dos assaltos, dos sem-abrigo, álcoólatras e toxicodependentes que têm invadido as ruas. Sucedem-se reportagens nas TVs e jornais (o FN, recorde-se, foi pioneiro nestas denúncias). Agora vem a Iniciativa Liberal a exigir “a nossa segurança de volta” e a dizer que não se pode ignorar a realidade de que a comunicação social regional e nacional vai dando conta.

“A questão das drogas sintéticas obriga a que olhemos para outros locais, que sofram do mesmo problema, e procurar aprender com a experiência desses sobre o que fazer.A questão não é só regional. Estamos perante uma situação de ruptura, de um verdadeiro problema de saúde pública, que não pode ser deitado para trás das costas fingindo que não existe”, sentencia Nuno Morna, da comissão coordenadora da IL.

“A legislação nacional tem de ser rapidamente mudada. Não pode só continuar a definir como ilegais as drogas que contenham determinadas substâncias, mas também considerá-las como tal pelos efeitos psicossomáticos que provocam. Há mais de 2 anos que falamos neste triângulo de violência e morte. E que a voz não nos doa para o continuarmos a fazer”, deseja a IL.

“As soluções, que na nossa opinião ultrapassam o horizonte eleitoral, passam por,  rapidamente, e já vamos tarde, aquilo que propormos: interdisciplinariedade, empenho, querer, esquecer a politiquice do mandato, olhar o futuro.  Para o Presidente do Governo, Miguel Albuquerque, não há insegurança e os casos são pontuais. E todos os dias somos confrontados com situações de consumo e violência”, contrapõem os liberais.

“Depois temos a outra face da moeda, o Presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, a querer enviar os militares para a rua. Estas coisas nem se devem pensar, quanto mais dizer. No dia em que isso acontecesse seria a falência do Estado de Direito, a falência da democracia e o reconhecer da incompetência de quem nos governa, tanto ao nível municipal como regional”, refere Nuno Morna.

“A disseminação e o consumo de drogas, bem como o abuso do álcool, constituem uma ameaça à democracia e ao desenvolvimento. Vale a pena reflectir sobre como mudou o nível de segurança do centro do Funchal. Onde antes a avaliação e mitigação de riscos eram consideradas algo assente, agora a situação demonstra estar descontrolada. Por mais robusto que o plano de segurança, se é que existe, fosse, urge sentar polícias, agentes judiciais, ONG’s, câmara e governo à volta de uma mesa para que a situação actual seja contida. A adopção de avaliações dinâmicas e a tomada de decisões para mitigar ameaças e riscos é urgentíssima. Estes não são conceitos novos. E se aqueles que têm a responsabilidade de proporcionar segurança, seja ela real, seja ela percepcionada, não o fizerem, a situação só irá piorar”, opina.

A IL diz não ter soluções milagrosas, mas que estas “existem e terão sempre que ser o resultado de conversas descomplexadas e abertas entre entidades responsáveis que, irresponsavelmente, continuam de costas voltadas”.

Há que combater com a maior eficiência possível o tráfico, alertar os estabelecimentos da zona para ajudem a controlar a venda de álcool, maior presença física das autoridades, criar equipas móveis de saúde (física e mental) de intervenção rápida.

Por outro lado, a escola tem um papel fundamental na prevenção destes fenómenos. Devem ser envidados todos os esforços no sentido de termos uma comunidade escolar informada do perigo que a droga e o álcool representam.

“Os serviços prisionais devem ser também chamados, uma vez que uma parte significativa da população prisional está ligada, directa ou indirectamente, à criminalidade induzida pela droga e/ou pelo álcool. Programas funcionais de recuperação que ofereçam terapias cognitivo-comportamentais, aconselhamento intensivo, individualmente e em grupo, programação espiritual e tratamentos de substituição. Com ambição será possível identificar mercados de drogas e traficantes de rua, agir com rapidez minorando problemas, fazendo assim valer que estas actividades têm de parar e depressa”, reforça a IL.