Estepilha: CDS em liquidação total…

foto R. Marote
Rui Marote
Promoções, saldos e agora liquidação total. Todas estas fases esgotaram-se no CDS. Tudo isto em nome da “estabilidade e da unidade”.
Vamos à nossa historieta, guardada durante 26 anos e que nunca divulgámos por amor ao partido que ajudámos a fundar.
Nas autárquicas de 1996, na Junta de Freguesia de São Pedro, fui cabeça de lista pelo CDS. Os resultados para o PSD nesta Junta pela primeira vez não davam maioria ao partido laranja, embora o mesmo tivesse ganho.
O CDS era o fiel da balança. O PSD arriscava-se a ficar somente com o presidente (Carlos Estudante) se o CDS votasse a favor do PS.
Aqui nasce a primeira” coligação”, ou melhor um acordo após eleitoral.
Era presidente do CDS Ricardo Vieira. Reunimos com o PSD na residencial Gordon  e com o PS na Rua do Surdo.
No dia da tomada de posse, uma hora antes, voltei a reunir nas instalações da Junta na Rua Nova de São Pedro .Ao CDS foi oferecido o lugar de secretário da Junta e de tesoureiro.
Apesar de termos tido uma boa votação, iríamos ocupar lugares na Assembleia de Freguesia mas nunca no executivo.
O acordo foi com o PSD. O PS abandonou a reunião da tomada de posse, aborrecido com o CDS.
Cedi o meu lugar de secretário ao nº2 da lista com maior disponibilidade e fiquei com o de tesoureiro, uma vez que os afazeres de fotojornalista obrigavam à dedicação a uma profissão que amava.
Carlos Estudante que passava a maioria do tempo em Bruxelas depositou toda a confiança em mim.
Tudo decorria bem. Até que surgiram uns problemas com o secretário que já não está no mundo dos vivos, a frequentar a Junta durante a noite transformando-a num autêntico bataclan.
No primeiro andar vivia uma idosa que se queixou do barulho e das festas.
Ao tomar conhecimento resolvemos retirar a chave da Junta ao secretário. Certo dia a porta da Junta foi arrombada e o cofre violado. Tudo isto nunca chegou à comunicação social.
Obrigamos o secretário a pedir demissão para que o caso não fosse divulgado.
Conclusão: o PSD aproveitou o incidente colocando no executivo um elemento vogal, que ocupou a pasta de secretário, e o CDS colocou uma mulher como vogal. Mas não perdemos os lugares executivos na Junta que o PSD nos tinha concedido.
Tempos mais tarde  a Junta teve direito a uma verba de 300$00 para um membro prestar serviço a meio tempo. Carlos Estudante queria que fosse eu a ocupar essas funções, mas não aceitei porque colocava primeiro a minha profissão.
Essa verba foi para o actual secretário do PSD, que ocupou essas funções.
Foram quatro anos maravilhosos  com trabalho feito e uma equipa coesa. Vieram novas eleições e qual o meu espanto quando Carlos Estudante convida-me a integrar a lista do PSD em segundo lugar como independente.
Respondi que não aceitava, pois era militante do CDS  e membro da comissão política. Voltou a insistir e não esqueço, disse-me: “Você fez um bom trabalho e o povo não liga a partidos…”
Nas eleições autárquicas do ano 2000 estava à frente do CDS José Manuel Rodrigues que me convidou para ser cabeça de lista por São Pedro.
Não aceitei: não podia entrar em “guerra “com Carlos Estudante. Pedi para integrar a lista da Assembleia Municipal, mas a resposta foi: não vais na de São Pedro não vais em nenhuma. O CDS recusava os meus préstimos e estive quatro anos de licença sabática. Anos mais tarde fui cabeça de lista da Assembleia Municipal durante dois mandatos.
Aqui fica o meu testemunho: como diz a Bíblia, “aqueles que se exaltam serão humilhados e os humilhados serão exaltados”… Estepilha