Entrevista ao FN: aluno da Francisco Franco conquista 19,9 valores a português e matemática nos exames

Afonso Mendonça Jacinto agradece o apoio dos professores e da EFF. Fotos Lúcia Pestana.

Afonso Mendonça Jacinto fez o brilharete na primeira fase dos exames nacionais de matemática A e de português, de 12.º ano de escolaridade, ao conquistar a nota de 19,9 valores, respetivamente, nas duas disciplinas. Com 18 anos e uma cabeça bem arrumada, este aluno da Escola Secundária Francisco Franco mostra, em entrevista ao FN, que o trabalho compensa e que é possível atingir um “score” excecional na difícil etapa dos exames nacionais. Trabalho, muito trabalho…

Aluno do curso de Ciências e Tecnologias, Afonso Jacinto considera-se uma pessoa trabalhadora, que tem sempre vontade de fazer mais e melhor e que, quando mete um objetivo na cabeça, dá tudo o que tem para cumprir da melhor maneira o que lhe é humanamente possível. Confessa também que se considera uma “boa pessoa”, um ponto ao qual dá grande importância, ou seja, aos valores relacionais.

Com um discurso fluido e muito acessível, o aluno da EFF revela que costumava praticar golfe, no Santo da Serra, mas, entretanto, no último ano, ano e meio, parou para dedicar-se mais afincadamente aos estudos, porque “11.º e 12.º anos apertam um bocado”. Mas deu a volta à situação: “Faço musculação em casa, comprei o equipamento e pratico em casa”.

Surpresa agradável

Também os alunos brilhantes têm dúvidas sobre que curso seguir na universidade. Como tantos outros. Por isso, no diálogo com o FN, à entrada da EFF, revela que fez os dois exames – português e matemática -porque não tem certeza do que quer seguir nos estudos superiores. Jogou, então, pelo seguro. “Assim ficava um pouco prevenido para as opções que eu tomasse. Confesso que em matemática já esperava esta nota porque, junto do meu explicador, percebi que existia essa possibilidade. Em termos de português, admito que não estava à espera porque português é aquele exame que uma pessoa faz, mas às vezes é muito fácil escapar aquele tópico e então ter 20 em duas disciplinas, especialmente no de português. Por isso, foi uma surpresa agradável e fiquei muito contente. É bom saber que o trabalho se traduz nos bons resultados”.

Com este “score”, o jovem aluno mostra-se grato. “Queria agradecer aos meus professores porque, sem eles, eu tenho toda a consciência de que seria muito mais difícil. Eles também acabam por nos dotar das ferramentas para termos os melhores resultados possíveis”.

A conquista de excelentes notas resulta de várias apostas. Afonso Jacinto explica o seu segredo: “Em termos da matemática, este ano, adotei um método de estudo um bocadinho diferente do ano passado para Física e Química, acaba por ser parecido, que é fazer muitos exercícios, mas este ano estive com um explicador, o Carlos, um grande profissional, adorei o seu método e devo-lhe também um grande obrigado. Também as aulas com o professor Jordão, ao longo dos últimos 3 anos, foram cruciais na preparação do exame. Para português, tivemos, aqui, as aulas de preparação com a professora Teresa  e ela foi-nos dizendo o que era mais importante para a concentração no exame. Fui revendo os pontos onde me sentia mais inseguro e que uma pessoa olha para trás e, entretanto, se esquece. Tentei consolidar aprendizagens porque, do ponto de vista gramatical, sentia-me seguro, mas do ponto de vista de conteúdos específicos não me sentia tão seguro”.

As dúvidas sobre a área de estudos a seguir persistem: hesita entre medicina  ou engenharia”. É tempo de deitar contas à vida: “Vou admitir que, se eu for para uma engenharia, estou a ver que, se calhar, terminando o curso, a grande parte dos profissionais acaba por deixar Portugal e não é uma mudança muito fácil. Medicina, mais depressa uma pessoa consegue ficar cá e fica estável do ponto de vista financeiro. Tinha em mente ainda o curso de engenharia aeroespacial pela quantidade de saídas profissionais que nos dá no futuro… Se for para medicina, tenho em mente a Universidade Nova de Lisboa, pelo feedback incrível que tenho recebido”.

O aluno tece rasgados elogios aos seus professores. “Não me posso queixar, eu acho que os professores que eu tive, ao longo destes três anos, são professores com cariz muito profissional e com uma dedicação ímpar, professores com os quais uma pessoa pode trocar mensagens às onze da noite, meia-noite… Tenho consciência da sorte que tive, não só com os professores, mas também com os meus colegas. Gente genuinamente boa, amiga do próximo, que tem também o desejo de ver o próximo contente, atingindo o sucesso”.

O Afonso Jacinto admite também que nem tudo são rosas na relação com os docentes, isto para ser verdadeiro. “Também se ouvem-se coisas más, é verdade, tenho colegas de outras turmas que se queixam de alguns professores… Casos de professores que baralham as notas ou que os métodos de ensino, às vezes, são pouco eficazes, e falham um pouco na parte da relação humana com os alunos. Tenho ouvido alguns casos. Mesmo assim, a minha impressão é muito boa, acho a EFF uma comunidade muito dinâmica, especialmente o Dr. Cristóvão Pereira, vice-presidente da EFF, um homem bastante disponível, sempre que temos um problema, os delegados de turma, podemos falar com ele sobre os problemas e disponibiliza-se para resolver e comunica as situações muito bem. É uma comunidade dinâmica que se importa com o bem-estar dos alunos. Não olha só aos resultados, mas também à experiência que é estar no secundário”.