Albuquerque lidera debate do estado da Região com oposição a precisar ganhar mais traquejo político

Fotos Amílcar Figueira.

 

O debate anual sobre o Estado da Região aconteceu na manhã de hoje com o governo e a oposição a esgrimirem os seus argumentos, como é da praxe. No entanto, a discussão esteve bem longe do fulgor dos grandes debates parlamentares de outros tempos, sendo notória a falta de intervenções, sobretudo da parte da oposição, que levassem ao rubro os trabalhos no hemiciclo.

Uma pluralidade de temas saltaram para as mais de cinco horas de debate, num “raid” discursivo ziguezagueante, com o presidente do Governo Regional a bocejar com a falta de estratégia da oposição e esta a insistir com o empobrecimento crescente dos madeirenses, o servilismo aos lobbies empresariais, os impostos elevados e as queixinhas do executivo local contra o governo de Costa. Tudo mastigado num discurso rebatido ou “martelado”, com evidente falta de estratégia. Lembramo-nos, por exemplo, de tribunos como Mota Torres, Edgar Silva, Cabral Fernandes, Ricardo Vieira, entre outros, que davam luta, na oposição. Até mesmo, o próprio deputado Vítor Freitas tinha, na sua liderança, um discurso muito mais aguerrido e incisivo na bancada socialista. Outros tempos, outras filosofias de intervenção.

Esperava-se mais, muito mais, de um debate que fecha este ciclo, nomeadamente da bancada socialista. Com uma postura séria mas nada eloquente, e ladeado por um conjunto de outros tantos novatos na política, Sérgio Gonçalves é abalroado por uma bancada social-democrata com traquejo, perdendo-se na preocupação dos números e focando-se menos no debate político, que exige improviso e garra, com réplica pronta à medida das invetivas da maioria social-democrata.

Os secretários regionais marcaram também presença no Parlamento – à exceção de Susana Prada e Humberto Vasconcelos – com as lições bem estudadas e também com números para cortar a demagogia dos adversários políticos.

Ricardo Lume, da bancada do PCP, e a dupla Élvio Sousa e Paulo Alves, da JPP, ainda dão alguma vivacidade ao debate, puxando pelo trabalho de casa e mandando alguns piropos a quem governa a Madeira. Mas é preciso fazer muito mais para mostrar serviço e tocar na ferida, com originalidade e assertividade, daquilo que ainda é preciso mudar na Madeira. 

Com José Manuel Rodrigues a conduzir os trabalhos, focado numa orientação plural e rigorosa, Miguel Albuquerque capitalizava no discurso com a vitória reiterada de uma pandemia superada com sucesso, com os desafios tecnológicos e com a bandeira de Lisboa tratar a Madeira como uma Região Autónoma e não como uma ilha adjacente. Alfinetando ainda o PS com a previsão de uma possível crise de liderança interna, Miguel Albuquerque até se deu vazão à ironia, lembrando que o último cartaz do PS tem o bom gosto de ter as cores do PSD e considerar que a Madeira está melhor…