Entrevista FN: Presidente dá nota positiva à Região à boleia da pandemia e diz estar preparado para as curvas da política

Olhar para a frente, para as tendências emergentes, pede Albuquerque. Foto DR.

Se fosse professor, Miguel Albuquerque garante que daria uma nota “extremamente positiva à Madeira”, num momento em que se avizinha o Dia da Região. O presidente esteve ontem em Lisboa, participou no Conselho de Estado, e hoje foi até aos académicos da Universidade da Madeira lembrar que a nova fronteira não é o abstrato mas a transição para a economia digital, esta sim, a nova “Índia” do século XXI, também para a Madeira.

À margem do Congresso das Ilhas e Territórios Periféricos, nos bucólicos jardins do histórico Colégio dos Jesuítas, o presidente abriu-se à conversa com o Funchal Notícias num registo de balanço. Sereno, com voz firme e rejeitando qualquer sinal de cansaço, o presidente mostra-se preparado para todas as curvas da maratona política. Deixa pousar os críticos, conhece-lhes os egos e mostra-se mais focado em segurar as rédeas de uma ilha que precisa se modernizar e agarrar os novos paradigmas da revolução digital.

 

O balaço positivo da governação corre muito à boleia da forma como Albuquerque e a sua equipa geriram o grande desafio da pandemia e os seus resultados. Lembra que “2020 foi um ano terrível, gravíssimo, com traumas, e os profissionais, sobretudo da saúde, tiveram um comportamento exemplar. Nós atravessámos a maior crise económica de sempre crise económica, crise social e crise de saúde pública e nós soubemos mobilizar a sociedade e enfrentá-la. Agora estamos numa fase de recuperação desta crise terrível, porque o impacto sobre o PIB foi devastador. Neste momento, as pessoas estão mais relaxadas face à forma como enfrentámos a crise e, por isso, dou uma nota extremamente positiva à Região”.

Acontece que, nesta conjuntura de recuperação e desafogo das restrições pandémicas, a Madeira acusa 14 mortos de covid, só na passada semana.  Algo não menos preocupante numa população reduzida como a da Madeira, a gerar inquietações. Mas o presidente diz ser “normal”. Estamos a perder o controlo? Nada disso, esclarece Albuquerque: “Eles não morrem do covid mas de doenças associadas.. Quem decreta o óbito, segundo a lei, tem de dizer que é covid. A vacinação foi um grande sucesso. Naturalmente que se pode contrair a doença, mas o impacto será muito menor. Agora temos de encarar isto como uma doença recorrente, como uma gripe, não tão grave”.

Dívida foi necessária

Crise praticamente superada, mas Região cada vez mais endividada. O presidente admite-o. Foi preciso 358 milhões de euros e, neste momento, houve a suspensão do pagamento de uma prestação do PAE. Segundo o presidente, “a nossa dívida deve andar à volta dos 99% do PIB, 5 mil milhões e tal…tivemos que contrair a dívida para fazer face à crise de saúde pública e assegurar apoio às empresas nesta crise terrível”.

Mas os sinais são animadores, confessa o chefe do executivo madeirense. “Estamos num processo de recuperação. Já baixámos quase 900 milhões de dívida relativamente ao que existia em 2012. Até fevereiro de 2020, tivemos 7 anos com superavit, com o desemprego mais baixo da Europa. Agora estamos numa fase de recuperação económica novamente e temos de aproveitar esta fase para continuar a reequilibrar as contas da Região”.