Pressão turística em locais atractivos da ilha continua intensa

 

Continua a verificar-se uma forte pressão sobre os principais pontos turísticos da Madeira. Desde os grafittis no Pico Ruivo às multidões na Ponta de São Lourenço, há sinais que demonstram de forma quase inequívoca a queda na qualidade do nosso turismo, sem desmerecer de que toda a gente, obviamente, tem o direito de fazer férias. Altura é talvez, no entanto, a de repensar que tipo de turismo queremos para a Madeira, região que em tempos se notabilizou por apelar particularmente a turistas ingleses, germânicos ou nórdicos endinheirados (a par de gente bem abonada de outras nacionalidades).

A ampliação progressiva do número de camas e a aposta no chamado “turismo jovem” veio trazer à RAM um mercado bem mais diversificado, mas que faz compras no supermercado, gasta pouco e tem preenchido de forma quase assustadora trilhos, veredas e levadas.

O mercado dos rent-a-car é que não se deve poder queixar. Muitos turistas alugam carro e nisso fazem concorrência à população residente, levando-o para todo o lado e engrossando o tráfego em zonas mesmo como a da Ponta de São Lourenço, afastada dos grandes centros. Este domingo o FN deparou-se, pela enésima vez, com grande movimentação, em dia em que muita gente também aproveitou para ir à praia, quer em Machico, quer no Caniçal, quer na Prainha ou em outras localidades.

No início da vereda para a Casa do Sardinha o trânsito era concorrido. Muitos carros estacionados, enormes autocarros, até reboques com carros avariados em cima, prontos para serem transportados, havia. A vereda da Casa do Sardinha, uma autêntica avenida, com gente para lá e para cá, a rivalizar com a Avenida Sá Carneiro, no Funchal.

É bom ter turismo, é bom veranear, só não é bom ver tantos carros, tanta gente em locais da natureza que têm de ser protegidos de algum modo, tanta multidão. Sinal de turismo em pleno, de economia pujante? Temos as nossas dúvidas.