Tive honras de VIP: fui abordado à chegada por uma funcionária, para utilizar uma sala reservada com ar condicionado e magníficos sofás para disfrutar de um chá ou café. Optei por chá verde e paguei 15.000 som uzbques, equivalente a 90 cêntimos do euro. Valeu a pena, uma vez que no exterior a temperatura rondava os 37 graus.

Fui encaminhado pela assistente, 10 minutos antes da partida, para a carruagem:
o interior moderno e bem decorado, com ar condicionado, écrans televisivos e com a saída no horário. Durante o percurso os passageiros tinham direito a gelados, salada de frutas, refrescos de fruta fresca… serviços que percorriam as carruagens.
No trajecto contemplei culturas de algodão e alguns rebanhos de cabras e ovelhas. Entre as ramadas das árvores começo a vislumbrar cúpulas azuis dos grandiosos monumentos de Tamerlão. O deserto vermelho dá lugar, já dentro da cidade, a espaços verdes. De táxi percorri uma dezena de km até à zona histórica, onde fiquei hospedado num hotel cheio de cortinas, tapetes , almofadões… e com a particularidade de deixar as botas a porta.
Aqui encontrei um povo humilde e hospitaleiro que só se interessa por negócios e dinheiro e que parece ter perdido um pouco o gosto pela cultura. Os mercadores quando aqui chegavam de várias partes do mundo traziam não só as mais importantes matérias primas, como também um grande desejo de conhecimento em troca de novas e revolucionárias ideias.



Já no hotel, sem tempo a perder visitei sem guia no fim de tarde a estátua de Tamerlão na Praça de Registan, enquadrada por duas duas magníficas “madrassas” (escolas corânicas). Uma delas é famosa pelos desenhos de animais que a decoram, uma violação clara do tabu islâmico sobre a representação de seres vivos.
Visitei Bibi Khanym, a maior mesquita do mundo antes do terramoto de 1897. Com um arco de entrada de 35 metros e um gigantesco Corão de mármore destinado a ser lido do alto do minarete, continua a ser um dos monumentos mais importante da cidade.
Ao fim do dia, um grupo de peregrinos prestava homenagem no mausoléu de um dos primos de Maomé.
Outro local a não perder é o bazar de Siab: mulheres de lenço amarrado à cabeça e vestido garrido chamam o cliente, oferecendo um punhado de pistáchios, ou damascos, para convencer. De olhos rasgados à oriental, algumas usam um traço negro a unir as sobrancelhas. Os dentes cobertos de ouro são sinal de riqueza.
Homens idosos com barbas pontiagudas, casaco pelo joelho e botas altas fixam-nos e os sorrisos que lhes damos não são correspondidos. Mesmo sim ficamos agradecidos por algumas fotos que tiramos.
Uma curiosidade: o que significa o nome Samarcanda? (Samar-Kand,”cidade de pedra”). Essa cidade continua de pé e continua magnífica. A noroeste da cidade descobri o museu Afrosiab, sobre a ocupação mais antiga de Samarcanda onde está um dos seis supostos túmulos do profeta Daniel, do Antigo Testamento. Os seis disputam entre si a honra de albergar os restos mortais do profeta.
Seis cidades alegam abrigar o túmulo de Daniel, sendo uma delas Samarcanda, para onde o imperador Tamerlão teria levado o corpo, partir do seu túmulo mais famoso em Susa, no Irão. Este túmulo aqui é uma estrutura simples de tijolos, tão menos notável quanto mais monumentos da esplendorosa cidade já tiverem sido visitados.
Em 1965 foi descoberto um extraordinário fresco que cobre as 4 paredes da sala, apenas parcialmente restaurado, pois foi encontrado muito destruído. Nele está representado um rei local do século VII recebendo dignitários acompanhados de cavalos, camelos e elefantes. Um postal excelente da antiga Rota da Seda.
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