CDS com congresso à porta: de “casa às costas” e com mobília em Câmara de Lobos

Rui Marote
Ao longo da sua história o CDS-Madeira conheceu duas sedes: na Rua 31 de Janeiro (uma antiga leitaria) e na Rua da Mouraria, propriedade da família Baltazar Gonçalves, primeiro presidente do CDS.
Com a degradação do edifício, com os telhados a abater, os centristas viveram anos alugando salas de hotéis para reuniões da comissão política, concelhos regionais e outros eventos.
No tempo das vacas gordas, o partido enveredou por ser “supermercado”, distribuindo leite e cabazes de compras, medicamentos, árvores de Natal e utensílios escolares. Tudo isto em troca de “votos” nas campanhas eleitorais, com grandes jantares e almoços em diversos concelhos, para apresentar os seus candidatos em comícios onde o verbo comer e beber era conjugado no presente no gerúndio  e no imperativo. Casa cheia, onde  os presentes comiam e bebiam sem pagar um cêntimo. Não foram meia dúzia mas sim centenas.
Todos os partidos tem sede própria: PSD, PS, PCP, Bloco de Esquerda. Só o chamado “partido dos ricos” vivia de aluguer, e muitas vezes com as rendas atrasadas.
Não tem património: se havia mais, gastava nas campanhas eleitorais, só festas, e os votos não apareciam e os empréstimos à banca acumulavam-se.
Agora até um “vão de escada” serve, a Rua Fernão de Ornelas é a terceira sede (no local das ex-Fundações Adelino Amaro da Costa e da Fundação Konrad Adenauer). Porém, ao longo destes anos aquele espaço teve utilização quase nula. Este posto avançado serve de “refúgio”, mas continua-se a recorrer as salas dos hotéis.
Nas ultimas semanas a Fundoa recebeu umas toneladas de “lixo” acumulado nos andares e o mobiliário e arquivos foram armazenados no concelho de Câmara de Lobos. Em conversa com um dos proprietários do prédio exclamava o mesmo: “O CDS teve tantas oportunidades para comprar o imóvel!”
O XXVIII Congresso está à porta: a 28 e 29 de Agosto, no Savoy Palace. Entretanto recorrem às instalações do grupo parlamentar do CDS na Assembleia Regional como secretariado do congresso.
Resta aguardar o arriar das bandeiras da fachada e a entrega da chave ao senhorio, sem toque de clarim, ficando para a história.