Estepilha: Festa da Flor rima com jardins sem cor

Rui Marote
Lá está o Estepilha a dizer mal!!! E vai continuar a dizer mal do que está mal e a elogiar o que está bem. Algo que já há muito tempo aprendemos como legítimo em jornalismo.
Elogiamos o que se passa na Praça do Povo com o pavilhão exibindo as nossas melhores flores classificadas e premiadas. Aplauso. Já os nossos jardins… é o que se vê.
Esta manhã, verificava-se a azáfama movimentada de turistas ao longo da marginal, e  também de residentes numa autentica peregrinação à exposição de flores.
Porém, os jardins que limitam toda aquela área mostram-se com uma “matagueira” que desencoraja os visitantes. A cor predominante, apesar de tudo, é o verde e a flor do campo, o alecrim, para curar o mau olhado, com alfazemas e bananeiras. Salpicadas aqui e acolá, vêem-se algumas estrelícias.
O Estepilha recorda aquando da inauguração de toda esta promenade, obra da sociedade de desenvolvimento, estes jardins foram um cartão de visita.
Os jardineiros e cantoneiros do Governo e das Câmaras escasseiam e os quadros foram reduzidos.
No Funchal apareceram firmas particulares a executar esses trabalhos de jardinagem. A praça do Povo aderiu e quando finalizaram esses contratos, ficou ao abandono.
Toda aquela área marítima pertence aos portos, competindo-lhes a manutenção dos jardins. Os portos herdaram, pois, um filho feito em” barriga alheia”. A sociedade construiu, e depois entrega aos portos.
Na altura dessa construção e do “calçadão”, existiu um braço de ferro entre a Câmara liderada por Miguel Albuquerque e Alberto João Jardim, que regionalizou toda a Avenida retirando todos os poderes ao município.
Ainda hoje a Câmara continua sem dar apoio de jardinagem a esses espaços.
Quando Albuquerque chegou à Quinta Vigia interessou-se por um espaço no “calçadão” da Avenida Sá Carneiro, criando um jardim sob a sua orientação com os jardineiros da quinta.
Durante alguns anos, esse espaço sobressaía em toda essa área, com flores controladas do miradouro da Quinta Vigia. Mas hoje enferma da mesma doença de toda a área.
Nestes meses de Primavera e Verão as firmas na área da floricultura e jardinagem vão ao desemprego buscar trabalhadores para essas tarefas, sem conhecimentos e formação, e que voltam ao desemprego em Setembro.
Em 2015, Raimundo Quintal antigo vereador da CMF responsável pelo pelouro do Ambiente, recordava que a cidade no ano 2000 recebeu o galardão de ouro das Cidades Floridas da Europa, o que nunca mais recebeu. Um prémio que atesta a qualidade do património que tem.
Hoje o Funchal é uma cidade sem “cor” e com menos flores.
É como aquela história, ligeiramente modificada: “Há rosas?” “Sim senhor!” Há cravos?” “Sim senhor!” Há antúrios? Sim senhor!” “Há estrelícias? “Sim senhor!” “Mas onde estão?” “É preciso plantar…” Estepilha!