Sindicato e associação criticam condições de trabalho nas ilhas Selvagens

O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, e a Associação Socioprofissional da Polícia Marítima protagonizaram uma conferência de imprensa conjunta na qual abordam as condições de prestação de serviço pelo pessoal da Polícia Marítima e dos Vigilantes da Natureza, nas ilhas Selvagens.

Naquele território, geograficamente isolado e com características marcadamente ultraperiféricas, o labor reveste-se de um grau de exigência acrescido, comportando um maior grau de desgaste físico e psíquico, por força das circunstâncias de grande especificidade em que a actividade daqueles profissionais ali se exerce, 24 horas por dia e em todas as condições de tempo e de mar.

“Os profissionais destas duas estruturas sempre estiveram do lado da solução e não do problema, pelo que não se compreende como foi alterado o período de empenhamento operacional nas Ilhas Selvagens, de 15 para 21 dias, totalmente à revelia dos profissionais de ambos os serviços, com um impacto profundo no pessoal empenhado no local, com o pressuposto de custos excessivos dos meios empenhados, deixando de haver margem de segurança para qualquer eventualidade de força maior”, criticam as estruturas representativas dos trabalhadores.

“Sendo este um projecto considerado de desígnio nacional, apadrinhado pelos últimos Presidentes da República, nos últimos 25 anos, não se compreendem as razões de advogar ordem economicista, totalmente à custa do esforço destes profissionais, inclusive no seu tempo de descanso posteriormente ao cumprimento da missão”, considera-se.

“Acresce a este sacrifício as condições de acomodação a bordo dos navios da Marinha, e de não menor importância as condições de preservação dos viveres hortofrutícolas e de frio, que necessariamente acompanham estes profissionais ali destacados. Este desígnio nacional, e em especial regional – agora com a reserva natural ampliada – torna-se tão mais evidente a necessidade adoptar uma solução que sirva o interesse nacional, mas não esquecendo em valorizar “A entrega, com grau de compromisso excecional, de quem escolheu livremente servir Portugal (…) através da melhoria continua da sustentabilidade do modelo de prestação de serviço e da conciliação do trabalho com a vida pessoal”, referem o Sindicato e a Associação.