“Glória à Ucrânia”, proclama José Manuel Rodrigues no 25 de Abril

“Glória à Ucrânia”, pronunciou hoje o presidente do parlamento regional, José Manuel Rodrigues, ao entusiasmar-se num discurso da sessão comemorativa do 25 de Abril, todo ele subordinado ao assunto do momento, a invasão da Ucrânia pela Rússia. Dirigindo-se aos presentes e também a uma representação da comunidade ucraniana residente na Madeira, convidada para “comemorarmos
juntos a Democracia e a Liberdade”, José Manuel Rodrigues considerou que estes valores estão suspensos na Ucrânia, “por uma guerra sem fim, que mata, destrói e corrói uma cultura, um povo, uma Nação”.

Com o peito cheio de orgulho por receber os representantes ucranianos na ALRAM, “casa da
Autonomia e sede da Democracia, onde reside a soberana vontade popular”, José Manuel Rodrigues aos ucranianos que contam com a “nossa solidariedade” (…), apoio e luta para libertar o vosso país do invasor e para restaurar a vossa soberania”.

“Sentimos orgulho no vosso povo, pois o vosso combate é também o nosso combate, pela Democracia, pela Liberdade e pelos Direitos Humanos. Obrigado pela lição que têm dado ao Mundo”, exaltou.

José Manuel Rodrigues disse que hoje se assinala a implantação da Democracia em Portugal num momento em que a Europa e o Mundo atravessam a pior realidade desde a Segunda Guerra Mundial, quando se julgava que os regimes democráticos estavam consolidados e já não sucumbiriam face a ditaduras.

“O Mundo não voltará a ser o mesmo depois da pandemia e depois desta guerra na Ucrânia.
A geopolítica e geoeconomia mudaram e antigas alianças desfazem-se e outros blocos de interesses vão emergir. A relação entre a Europa e os Estados Unidos ganhou um novo impulso; a NATO viu reforçada, claramente, a sua importância no contexto mundial; a União Europeia assumiu-se, espera-se que de vez, como potência política, cerificando, de novo, a necessidade de uma verdadeira política comum de defesa, o que implica mais federalismo”, postulou o presidente do parlamento madeirense.

“A economia mundial sai abalada e a globalização vai, por agora, sofrer um impasse significativo, com danos no comércio mundial e na redução da pobreza no mundo. O clima vai ressentir-se com o recurso a velhas fontes de energia poluentes e abandonadas, derivado das sanções da Europa à Rússia, na compra de petróleo e de gás; podemos estar à beira de uma nova recessão económica global de consequências e prazos imprevisíveis”, avisou.

“É neste enquadramento de imensas dificuldades que assistimos, também, a um retrocesso da Democracia e a um avanço das ditaduras, ou de regimes limitadores das liberdades. A maioria dos cidadãos do nosso mundo vive em regimes autoritários, sendo que apenas um quinto vive em sociedades livres. Os restantes, a imensa maioria, quase oitenta por cento, residem em países
com regimes autoritários ou em sistemas políticos com graves limitações às liberdades. Esta realidade é tanto mais preocupante quando, há dez anos, a situação era a inversa e metade dos cidadãos da ‘aldeia global’ vivia em Democracia e apenas um quarto sofria a opressão das ditaduras.
Este é um sério motivo de reflexão quando, hoje, em Portugal, festejamos os 48 anos da implantação da Democracia e do regresso das Liberdades”, insistiu.

“O movimento das Forças Armadas que conduziu ao 25 de Abril tinha três grandes e nobres objetivos: Descolonizar, Democratizar e Desenvolver. Se o primeiro objetivo, a descolonização, está concretizado, se bem que com graves prejuízos para os portugueses que viviam em África e com
perdas humanas consideráveis, fruto das guerras que se seguiram nas antigas colónias, e cujos efeitos ainda subsistem; se a Democracia está implantada, pese embora com imperfeições, depois
de um processo conturbado, entre 1974 e 1976, em que se queria impor a legitimidade revolucionária à legitimidade democrática -emanada do voto dos portugueses- numa deriva que só foi corrigida a 25 de Novembro, quando se devolveu o 25 de Abril à sua pureza original e se fez aprovar uma Constituição que permitiu a realização de eleições livres e a conquista da
nossa Autonomia; a verdade é que o objectivo de Desenvolver, ou seja, de ter uma sociedade
desenvolvida, com uma economia a gerar riqueza e com justiça social, esse objectivo está longe de ser alcançado e deve ser prosseguido”, constatou José Manuel Rodrigues.

Criticou, aliás, as “desigualdades sociais, que precisam de ser esbatidas e corrigidas”, num Portugal “que asfixia a sua classe média com impostos; que paga salários insuficientes à maioria dos seus trabalhadores; que só tem para oferecer aos seus jovens trabalho precário; que atribui pensões muito baixas aos seus mais velhos (…)”.

“Outros países europeus, com menos riquezas e menos apoios financeiros, conseguiram crescer mais e ultrapassar-nos, o que permite concluir que precisamos de mudanças que conduzam a maior crescimento económico. A carga fiscal pesadíssima, que castiga quem investe, inova e mais trabalha,
a par de um sistema de subsídios sociais injusto e distorcido, de administrações públicas burocratizadas e desconfiantes do investimento e da criação de riqueza e com a ausência de uma cultura que premeie o esforço e o mérito são, com certeza, algumas das razões que explicam os
nossos atrasos e défices de desenvolvimento”, apontou.

Quanto à democracia e às liberdades, insistiu, “hoje, temos de seguir o exemplo dos ucranianos que combatem pela sua Nação (…)”.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.