Carlos Pereira aponta o dedo ao GR por “preguiça” em auxiliar famílias e empresas na energia

Carlos Pereira, deputado do PS-M no parlamento nacional, acusou hoje o Governo Regional de ser “preguiçoso” e de não estar a usar todos os instrumentos ao seu dispor para ajudar as famílias e as empresas no que concerne à questão energética, tendo em conta a escalada de preços que tem vindo a verificar-se nas últimas semanas.

Numa conferência de imprensa, o deputado socialista em São Bento apresentou duas soluções que entende que devem ser seguidas pelo Executivo madeirense no apoio à produção de energia eléctrica para autoconsumo e à mobilidade eléctrica.

Conforme explicou, existe a possibilidade de comunidades de empresas ou habitacionais poderem produzir, autoconsumir e até armazenar energia mais barata. Trata-se de uma solução que está prevista desde 2018 no quadro da União Europeia, tendo o país já legislado nesse sentido, pelo que este é o momento para acelerar esse processo.

“Há muitos meios no quadro do Plano de Recuperação e Resiliência regional para energias renováveis, mas que, infelizmente, estão completamente adstritos ao perímetro da Empresa de Electricidade da Madeira (EEM)”, declarou.

Para Carlos Pereira, este momento constitui uma oportunidade de fazer uso desses mesmos meios para estimular estas comunidades energéticas. Como exemplos destas comunidades energéticas, Carlos Pereira apontou os condomínios, ou seja, prédios de apartamentos com várias famílias, ou mesmo parques empresariais.

“Este é um modelo que deve ser seguido. A Região não pode continuar preguiçosa, de braços caídos sem actuar neste sentido, sobretudo porque há meios e eles têm de ser bem utilizados. A entrega de 70 milhões de euros ao perímetro da EEM não é uma boa notícia e não é uma boa política pública”, opinou.

Por outro lado, o deputado do PS afirmou que o Governo Regional tem sido “muito tímido no reforço do apoio às famílias e às empresas para a mobilidade energética”. Enquanto que no plano nacional o apoio individual foi aumentado e a proporção de apoios disponíveis foi duplicada, Carlos Pereira entende que “no plano regional devíamos ir ainda mais longe”.

Como expressou, o facto de a Madeira ser uma região insular e estar dependente da importação de energias fósseis deveria levar o Executivo a, de forma rápida e robusta, a actuar no sentido de potenciar a utilização de veículos eléctricos, o que traria vantagens ambientais e permitiria fazer face ao aumento dos preços dos combustíveis.

Na sua perspectiva, o Governo Regional deveria ter triplicado o plafond para apoio à aquisição de automóveis elétricos, quer para particulares, quer para veículos comerciais para empresas, até porque há meios do Fundo de Carbono para esse fim.