CDU diz que munícipes são cada vez menos ouvidos na CMF

A CDU vem denunciar à comunicação social a “postura pouco democrática do executivo PSD-CDS da Câmara Municipal do Funchal”, no que diz respeito à participação dos munícipes nas reuniões públicas, que acontecem na última 5ª feira de cada mês.

A deputada municipal da CDU, Herlanda Amado, recordou que o direito à participação nas reuniões públicas dos municípios, está consagrado na Lei 75/2013 de 12 de Setembro, bem como nos regimentos das câmaras e assembleias municipais.

Com o passar dos anos e aos poucos e poucos, os munícipes do Funchal têm visto coarctado o seu direito à participação nestas reuniões públicas, momento importante para as populações, muitas vezes de confronto com o Executivo Camarário, na exigência de esclarecimentos sobre a não concretização das suas justas reivindicações, afirmam os comunistas.

De acordo com a eleita da CDU, “o que estava inicialmente previsto no regulamento da Autarquia era que qualquer munícipe poderia inscrever-se até às 16h30 do dia anterior há reunião sem limite de participação, iniciando-se a reunião pública às 09h30 da última 5ª feira de cada mês”.

Mas esta situação foi alterada ao longo dos anos, sempre para limitar a participação dos munícipes, e em Janeiro de 2020, ainda com o executivo da maioria do Partido Socialista, as inscrições passaram a ter que ser feitas até às 16h30 da 6ª feira anterior à reunião pública, alterando a hora das 09h30 para as 17h30, para além da limitação de participação de munícipes, impondo o número de 18 pessoas por reunião.

Esta situação uma vez mais sofre alterações em Outubro de 2021 com a tomada de posse do executivo de maioria PSD-CDS, quando alteram a hora da reunião das 17h30 para as 09h30 e colocam novo limite de participação, passando de 18 para 15 pessoas por reunião.

“A democracia participativa deve ser fomentada e não limitada; a intervenção dos munícipes deve ser incentivada e não reduzida, mas pelos vistos fica uma vez mais confirmada, que uma coisa é falar de Democracia, outra coisa é praticar e ter uma postura democrática”, considera Herlanda Amado.

A deputada municipal critica igualmente uma situação que já aconteceu no passado e começa a ser uma situação cada vez mais normal, “da recusa de recebimento de cartas dos munícipes dirigidas ao Presidente da Câmara ou aos Vereadores, alegando que as mesmas estão “mal redigidas” ou “não são endereçadas às pessoas correctas”.

Convém relembrar a quem dá as orientações aos funcionários da autarquia, que limitam-se a seguir “ordens superiores”, que qualquer cidadão tem o direito e dever de questionar os eleitos e que independentemente da forma como as cartas ou pedidos de informação estejam redigidos, não compete a qualquer funcionário “passar o lápis azul” e recusar o recebimento de qualquer carta dirigida ao executivo camarário, diz-se.

“Muito se fala em democracia participativa, mas depois não são garantidos os direitos à participação dos munícipes, esquecendo-se que uma das primeiras formas de garantir a democracia e o “sentir o pulso” ao Município, é ouvir os seus munícipes”.