Albuquerque diz que “tragédia” europeia gera temores de recessão

foto arquivo

O presidente do Governo Regional considerou hoje a guerra na Ucrânia como “uma tragédia para a Europa”. Questionado pelos jornalistas à margem de uma visita às comemorações do Dia Internacional da Protecção Civil, na Praça do Povo, Miguel Albuquerque disse que isto implica uma reconfiguração completa do posicionamento geopolítico europeu.

“Finalmente, e face àquilo que está a acontecer, a Europa acordou para a necessidade de ter um mercado único de energia, algo sobre o que eu já tinha falado há muito tempo. Aquela ideia de a Alemanha e alguns países do centro europeu ficarem dependentes do gás russo era suicidária”, declarou. Neste momento, “está demonstrado que esse mercado único de energia já deveria estar constituído”.

Por outro lado, esta incursão da Rússia na Ucrânia veio, em seu entender, reforçar a NATO, que estava “moribunda”. Há necessidade de “reforçar a cooperação entre a Europa e os Estados Unidos, na defesa das democracias ocidentais”, defende Albuquerque.

A ideia de que as livres trocas comerciais contribuem para flexibilizar regimes é errada, aponta o governante, dizendo que o mesmo também não aconteceu com a China, quando aderiu à Organização Mundial de Comércio.

“A Europa precisa neste momento de aumentar os seus orçamentos para a defesa”, entre Miguel Albuquerque. E já vai tarde, em seu entender.

Questionado sobre o impacto do aumento dos preços na economia, admitiu que “estamos agora sob o espectro de uma recessão europeia”, com a subida dos preços das matérias primas e energia, além da inflação e das taxas de juro.

“Não vamos ter o crescimento económico que estava previsto”, finalizou.

Sobre a saída dos cidadãos russos ainda retidos na RAM, disse que tudo estava previsto para que essa solução se resolvesse ainda hoje.


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