O Bloco de Esquerda foi ao Curral das Freiras, numa acção destinada a denunciar que o projecto do teleférico do Curral das Freiras “está envolto numa grande opacidade e falta de transparência”. Em primeiro lugar, preocupa o partido que o local, um património natural e geológico único no mundo, seja prejudicado pelas obras. “Está na rota migratória e de nidificação de algumas espécies protegidas, particularmente da freira da madeira. A história da formação geológica da ilha da Madeira está inscrita nestas serras e é, por isso, um património de valor incalculável para todas e todos os madeirenses”, salienta o BE.
O partido diz que “o que estamos a assistir é à descaracterização desta paisagem e a destruição deste património, que está integrada na Rede Natura 2000 e que, também por isso, o Governo Regional tem o dever e a obrigação de proteger”.
“É importante recordar que os turistas que nos procuram elegem as belezas das paisagens naturais da ilha como o mais marcante e recomendável da visita. Portanto, continuar com opções de investimento que privilegiem o betão é um erro e dizer que o teleférico é ecológico é atirar areia para os olhos dos tolos. Qualquer intervenção humana na natureza tem efeitos directos nos ecossistemas e na biodiversidade das áreas alvo dessa intervenção”, acrescenta o BE.
O partido questiona ainda quem será efectivamente o proprietário do investimento, uma vez que se sabe que este é um projecto privado, “(…) que tem 31 milhões de euros disponíveis para investir no Curral das Freiras. Porque é que não são os privados a comprarem os terrenos directamente? Certamente os proprietários desses terrenos ganhariam mais com essa venda directa”, refere-se num comunicado.
“Por que é o Governo Regional a expropriar os terrenos? A lançar o concurso internacional? A gastar dinheiro dos contribuintes madeirenses num projecto privado?”, questiona o BE.
“Já agora, falta-nos saber se o Governo Regional não se prepara para incluir este projecto no PRR, o que seria grave, já que essas verbas são para medidas estruturais para benefício de toda a população e não para apoiar projectos privados ou que serão posteriormente concessionados a interesses privados. São tudo questões para as quais não há uma resposta do Governo”, acusam os bloquistas.
Finalmente, o partido aponta que o Governo Regional gere o dinheiro dos impostos de todos os contribuintes madeirenses e porto-santenses e deve usá-lo para benefício de toda a população e não para o benefício de interesses privados.
“Para o Bloco de Esquerda, o Governo Regional deve sim investir na segurança da população do Curral das Freiras, quer através da permanência de meios de socorro, quer através da vigilância e limpeza constante das escarpas sobranceiras da freguesia e das suas linhas de água quer através da construção de uma nova via de acesso, com ligação directa ao centro do concelho”.
“É aliás vergonhoso que 12 anos depois do 20 de Fevereiro, estamos a falar de três governos do PSD, só agora haja 1 milhão de euros para dar alguma segurança a quem cá vive e só agora estejam a intervir no Ribeiro da Achada”, aponta ainda o BE.
Para o Bloco de Esquerda, a promoção do turismo no Curral das Freiras deve ser feita através da dinamização de outras actividade turísticas amigas do ambiente, como o pedestrianismo – com os caminhos reais, levadas e muitos trilhos pedestres (alguns deles a necessitar de limpeza), ou a observação das aves e da flora desta paisagem natural que é única e o principal motivo de atracção para os turistas.
“Sabemos que Miguel Albuquerque já disse, no seu típico tom de “quero, posso e mando”, que este projecto é para avançar, por isso questionamos se a avaliação de impacto ambiental, que será colocada em discussão pública no início de Março, não é um mero formalismo?; questionamos se a secretária do ambiente, o director regional do ambiente e o presidente do instituto das florestas e da conservação da natureza, que é também presidente de uma junta de freguesia e de 1 casa do povo e que tem se empenhado particularmente na defesa do teleférico, não serão meros fantoches ao serviço do PSD e dos interesses privados, e que pela sua actuação, não neste caso, mas ao longo de vários processos ligados à área ambiental, nada têm feito pela defesa do património natural e ambiental do arquipélago da madeira, como aliás já ficou bem patente no projecto da estrada das Ginjas”, conclui o Bloco.
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