Rita Andrade revela as últimas estatísticas: cem pessoas moram nas ruas da cidade

Aqueles que preferem viver nas ruas da cidade é também uma das preocupações de Rita Andrade e da sua equipa. Muitos falam da questão e palpitam mas o drama é muito mais profundo e as soluções complexas. Não é, por acaso, aliás, que Rita Andrade lembra a existência de pessoas sem abrigo a dormirem à porta da Comissão Europeia, em Bruxelas ou nas ruas do Reino Unido, a baixas temperaturas, e de tantos outros países. Não basta clicar num botão e solucionar por magia o problema.

No último levantamento estatístico que os serviços da Secretaria Regional da Inclusão Social e Cidadania fez, apurou-se que há cem pessoas a viver nas nossas ruas. A pandemia agravou o problema e empurrou ainda mais pessoas para a rua. Mas agora os números voltaram ao quadro anterior. Rita Andrade esclarece: “Não estou a dizer que temos o problema resolvido, longe disso. Temos muito a fazer. É uma área que nos preocupa. Posso adiantar que, no Plano de Recuperação e Resiliência, há uma rubrica só destinada aos sem-abrigo com quatro milhões de euros para projetos infraestruturantes, no sentido de dar uma resposta a estas pessoas . Sabemos que uma casa ou um apartamento não é solução para elas porque muitas das vezes não o desejam, uma vez que exige regras. Muitas delas são toxicodependentes que coincidem ou não com histórias problemáticas de saúde mental. Temos de integrar e tratar estas pessoas para depois dar-lhes uma opção que não seja viver na rua, embora se saiba que muitos deles não querem sair de lá”.

Sem soluções standard

Não há soluções standard para os sem-abrigo, sustenta Rita Andrade.  “Cada caso é um caso. Não é fácil. Mas estamos convictos de que, com o apoio de algumas instituições, como a Casa de Saúde Câmara Pestana e a Casa de Saúde de São João Deus, vamos avançar nesta problemática, procurando sempre as melhores soluções. Uma integração a 100% é quase impossível mas vamos tentar fazer o nosso melhor. São problemas de vidas complexas, temos algumas ideias, vamos ter um centro de acolhimento noturno e, naturalmente, estamos de mãos dadas com as  nossas entidades, porque sozinhos não vãos a lado nenhum. Contamos muito com elas para a melhoria desta realidade social que naturalmente nos aflige e vale a nossa intervenção”.