Estepilha: “Não fez nada, não fez nada”…

Rui Marote
Estepilha, as cerimónias do Dia da Cidade ficaram marcadas pela repetição deste “mantra”: o “irmão Pimenta” (não, não é o da Casa de Saúde de São João de Deus, que já não está no mundo dos vivos, mas sim o deputado municipal do CDS) em cada oração, parágrafo, interrogação e exclamação do seu discurso repetiu, triplicou e quadruplicou a palavra NADA mais de uma centena de vezes. Para ele, a Câmara não fez “nada”, acusação que repetiu até à exaustão.
Parecia querer parafrasear o pensador Thomas Carlyle, que disse “Quem não fez nada não sabe nada”. Foi brindado no final da sua longa intervenção com uns apupos de alguns assistentes.
O Estepilha quer recordar, a propósito, o deputado federal brasileiro Francisco Everardo Tiririca Oliveira da Silva mais conhecido por Tiririca, o quarto deputado mais votado em toda a história brasileira atrás de Bolsonaro, Eneas Carneiro e Celso Russomano. Tiririca ficou célebre pelas suas canções políticas utilizadas durante a campanha eleitoral, em 2010. Reproduzimos, com a devida vénia, parte da letra de uma das suas canções para atacar os adversários políticos:
“Não Fez Nada, Não Fez Nada”… Ouça o leitor por si mesmo no link https://www.youtube.com/watch?v=QqVNUJZvnTU
Quanto ao Governo Regional enviou a estrela da companhia, o Secretário Regional da Saúde, Pedro Ramos. Porém, o discurso ficou no bolso e tudo voltou, de certa forma, ao que era há oito anos, mas para os partidos da oposição… Pedro Ramos manifestou-se indignado, na Praça que antigamente era palco dos partidos de esquerda impedidos de falar. Entretanto, alguém acusa, exaltado: “Querem fazer disto o Afeganistão!… Estepilha.
Recordamos como era comemorado há oito anos o Dia da Cidade.
Os partidos representados na Assembleia Municipal não tinham o direito de expressar a sua palavra nessa cerimónia comemorativa.
Os partidos intitulados de esquerda, CDU e Bloco de Esquerda, “boicotavam” a cerimónia e manifestavam-se na Praça do Município pelo direito à palavra.
Naquele parlamento municipal só três entidades tinham direito a expressar-se: o Presidente da Câmara, o Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente do Governo Regional.
Foi assim durante 40 anos. Nos últimos 8 tudo mudou e as forças representadas na assembleia municipal e deputados independentes passaram a poder “botar palavra”.
Nos últimos anos a cerimónia tem-se efectuado na Praça em frente ao edifício municipal. A cerimónia de ontem não fugiu à regra.
O 25 de Abril deu-nos direito a expressarmos livremente. É democracia…
Acontece que há regras no breviário (regimento) e estão definidos os tempos das intervenções de cada partido em reunião de líderes. Mas ninguém respeita e temos verdadeiras orações de sapiência…

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