Secretário da Economia faz “post” aos empresários: “Obrigado por não desistirem”

Quem Despacharia para as desertas? Rui Barreto: “Mandaria umas espécies raras, em vias de extinção””. Fotos FN.

Rui Barreto tem uma grande afinidade com os empresários e gosta genuinamente da classe. Também já o foi. Considera que são, “francamente, pessoas de fibra, de coragem, que trabalham para melhorar a vida comum”. Instado a fazer um post sobre os empresários nas redes sociais, diria isto: “Obrigado por não desistirem e obrigado por termos conseguido estar todos juntos num propósito que é trabalhar para a nossa economia, para a criação de riqueza e postos de trabalho”.

Questionado sobre se, neste período, já recebeu um “puxão de orelhas” do presidente Miguel Albuquerque, o titular da economia sorri e responde com prontidão: “Não. Puxão de orelhas, não. Nem o faria. Apesar de ser 15 anos mais novo que o presidente do governo, temos uma relação de grande frontalidade, de respeito mútuo, de compromisso, responsabilidade e de lealdade. E a confiança não é uma coisa que se vá buscar ao supermercado. Ele sabe que estou focado em fazer as coisas bem; quando temos divergências, ligo-lhe ou ele liga-me, falamos das decisões estruturantes; ainda agora, no Porto Santo, tomámos café os dois, falámos do balanço da governação e do futuro, com grande espírito de frontalidade e respeito mútuo. Há conversas entre dois homens responsáveis, que são parceiros de um governo de coligação”.

Rui Barreto trocou o espaço do hemiciclo, na Assembleia Legislativa da Madeira, pelas semanais reuniões de conselho de governo, às quintas feiras, na Quinta Vigia. O que é melhor? O secretário esclarece: “Eu acho que as reuniões do conselho de governo são mais divertidas. E não é divertimento num sentido de algum laxismo. É camaradagem e também umas notas de humor pelo meio. Há um lado de nós, pessoas, que se revela, quando estamos entre portas, e as reuniões são agradáveis. Há um bom espírito de grupo, com foco e responsabilidade nas decisões que devemos tomar.”

Não é saudosista. Gosta do que faz e não olha para trás. Sem saudades do Parlamento ou do que está para trás na sua vida. Rui Barreto diz que gosta de  dar o melhor nas funções que tem no presente.

Introduzindo também uma nota de humor no diálogo, pergunta-se quem o secretário despacharia para as desertas. Com meio sorriso, afirma. “Mandaria umas espécies raras, em vias de extinção”. Quanto aos nomes, novo sorriso: “Deixo isso para os especialistas”.

Relativamente ao momento da governação em que sentiu maior solidão e incompreensão, o nosso interlocutor afirma que as funções de um governante “tem momentos de enorme solidão e tem necessariamente o momento da decisão. Temos de ser rápidos na decisão e queremos fazê-lo bem. Gosto de estimular a dialética das várias opiniões mas tenho que decidir. E a decisão é um momento de grande solidão e de algum sofrimento, porque queremos dar o melhor e nem sempre temos os meios apropriados para o fazer. O mais importante é ter o sentimento de que, com aquilo que temos ao dispor, ouvindo os agentes -criámos um conselho consultivo da economia, com reuniões com todos os agentes do setor – e tomamos decisões. Mas há momentos em que estamos sozinhos nas decisões. E não podemos estar preocupados com as palermices das redes sociais, com os comentários muitas vezes deselegantes, descabidos e sem nexo, temos de estar focados no que temos para fazer, pensando sempre no bem comum. Mas há, sim, de momentos, de solidão na decisão”.

 

O secretário da Economia aguarda pela estabilização desta conjuntura pandémica. Gostaria “de dar um contributo para que a nossa economia seja mais competitiva, mais moderna, mais alinhada com os desafios do futuro, na transição digital, na inteligência artificial, mais sustentável e uma economia não tão dependente de alguns setores, uma economia mais diversificada e com a criação de valor, que possibilite que os nossos jovens possam trabalhar na nossa terra, bem remunerados, e possam ser felizes aqui”.

 

 

Como democrata-cristão, comunga dos valores católicos. A terminar a entrevista com o FN, Rui Barreto assume-se como “um homem crente em Deus, mas desapontado com alguns crentes”.